Quadrilha foi presa pelo grupo Tigre da Polícia Civil

Agora Litoral/Massa News
Identificado como sendo o responsável por pelo menos dois sequestros no Paraná e líder da quadrilha que sequestrava gerentes de bancos para assaltar as agências bancárias, um até pouco tempo pastor evangélico ainda utilizava a casa de uma amante para planejar os crimes e depois fazer a repartição do dinheiro roubado. Essa foi a constatação feita pelo Tigre, unidade de elite da Polícia Civil do Paraná, responsável pela prisão das oito pessoas envolvidas com a quadrilha e que agiam no Paraná e em Santa Catarina.

A operação aconteceu em Curitiba, Matinhos, Ponta Grossa e Itajaí. Durante dois meses, os policiais do Tigre e da Delegacia de Jaguariaíva cumpriram sete mandados de prisão e outros 30 de busca e apreensão. Dois sequestros, um no Paraná e outro em Santa Catarina, foram impedidos graças à atuação dos policiais.

Além das prisões, os policiais apreenderam um fuzil, três pistolas, um revólver, farta munição, três coletes a prova de bala, quase R$ 250 mil em espécie, balaclavas, luvas, além de 3,8 quilos de crack. Duas motos e cinco carros comprados com o dinheiro roubado foram apreendidos e outros quatro veículos roubados e/ou furtados pela quadrilha para o cometimento dos sequestros foram recuperados.

Alguns dos veículos recuperados

QUADRILHA ESTRUTURADA
A organização criminosa era extremamente especializada e segmentada. O modus operandi era sempre o mesmo: havia uma pessoa da cidade que era escolhida pela quadrilha para fazer o levantamento do local e da rotina do gerente do banco. Era ele que anotava rotas, dados familiares, horários, endereço da casa do gerente, bem como dados referentes à agência bancaria escolhida como alvo. Assim como propunha os caminhos a serem percorridos, locais de agrupamento dos membros da organização criminosa e para manutenção de reféns em cárcere privado, rotas de fuga e os pontos para que os veículos usados no crime fossem abandonados.

Outra parte da quadrilha era responsável por abordar o gerente do banco no período da noite e manter a família dele em cativeiro. Normalmente este grupo ficava na casa do gerente, mantendo ele e a família incomunicável durante toda a noite. Do lado de fora permaneciam os “seguranças” do bando que faziam a vigilância no entorno da casa das vítimas, devendo avisá-los se houver movimentação policial nas imediações.

Cabia ao chefe da quadrilha o papel mais importante. Normalmente ele chegava ao cativeiro horas depois da tomada dos reféns. Era ele que acompanhava o gerente até o banco, logo cedo, no dia seguinte à tomada de reféns. Os familiares só eram liberados depois que o gerente entrava na agência, pegava todo o dinheiro disponível e entregava ao líder da quadrilha.

A última célula da quadrilha tinha como atribuição o plano de fuga, pela garantia da guarda dos valores até serem divididos, da forma acordada previamente, bem como responsáveis pela guarda das armas do bando e pelos locais de encontro para planejamento dos crimes.

Parte do dinheiro roubado foi recuperada

VIAGENS
Durante toda a investigação que culminou com a operação, o Tigre descobriu que após os sequestros e roubos bem-sucedidos integrantes das quadrilhas faziam viagens – algumas delas de luxo.

LÍDER PRESO
O ex-pastor, líder da quadrilha, foi preso no dia 12 de junho, em Curitiba. Ele e um comparsa, também preso, foram reconhecidos pelas vítimas de um sequestro ocorrido na cidade de Matinhos, no litoral do estado.

Com eles foram apreendidos um revólver calibre 38 com numeração raspada, R$ 180 mil e três veículos adquiridos com o dinheiro roubado. Os dois assumiram ter participado do crime em Matinhos. Com o dinheiro foi possível identificar, pela numeração coletada, a origem comprovada no sequestro.

A dupla entregou outros dois comparsas da quadrilha, também reconhecidos pelas vítimas em Matinhos. Os dois suspeitos já haviam sido presos em 2014 por roubo a instituições financeiras.

A Polícia Civil divulgou apenas fotos do dinheiro e dos veículos apreendidos com o bando. Os nomes e as imagens dos presos foram preservados, conforme determina a Secretaria de Segurança Pública.

FORAGIDOS
Segundo a Polícia Civil, quatro integrantes da quadrilha continuam foragidos. O Tigre suspeita ainda que a quadrilha esteja envolvida com roubos de veículos, venda de entorpecentes e até homicídios.

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