Manifestantes de esquerda iniciaram a distribuição de cartazes simulando um aviso de “procurado” contendo a imagem do senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar deixou o Brasil dois dias após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito presidencial de 2026.
Contexto das investigações e acusações
A saída do país ocorreu logo após a Polícia Federal solicitar a retenção do passaporte do político, embora ele não figure oficialmente como foragido ou procurado pelas autoridades brasileiras.
Nos impressos divulgados, os organizadores do protesto atribuem ao senador acusações relacionadas a tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de verbas públicas e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Atualmente, o congressista é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Uma das apurações, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. A outra analisa o financiamento da produção cinematográfica “Dark Horse”, obra focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Repercussão internacional e laços políticos
O material de protesto também aponta uma suposta participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), no suporte à saída do parlamentar do território nacional, além de acusá-lo de tentar influenciar o pleito brasileiro.
O tema da interferência estrangeira já havia sido abordado pelo governo brasileiro antes do segundo turno. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que representantes do governo Trump “tomaram parte” nas eleições brasileiras.
“O mais importante é a defesa do sistema brasileiro, é o povo brasileiro. Os brasileiros é que vão mostrar o que querem fazer nas urnas, que modelo estão procurando o que consideram que é interferência, o que é intromissão e o que não é”, disse em entrevista ao Estadão.
Em contrapartida, no sábado (31.out.2026), o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou envolvimento direto de Washington na partida do senador, embora tenha confirmado a autorização para a entrada dele no país. Posteriormente, o presidente Donald Trump afirmou, sem apresentar provas, que houve sinais de fraude nas urnas brasileiras e declarou que o aliado pode permanecer nos Estados Unidos pelo período que desejar.
Movimentações nos Estados Unidos
Durante sua estadia no exterior, o parlamentar emitiu uma carta na qual se autodenominava “líder do Brasil”, após recuar de um termo anterior em que se declarava vencedor do pleito.
No domingo (1.nov), o político participou de um culto religioso na igreja Celeiro, situada em Fort Lauderdale, na Flórida, acompanhado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro e da cunhada Heloísa Bolsonaro.
Detalhes sobre a saída do país
A partida de Flávio Bolsonaro rumo ao exterior ocorreu na companhia de sua esposa e de suas duas filhas adolescentes, motivada pelo temor de eventuais determinações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A solicitação da Polícia Federal para a retenção do passaporte foi emitida apenas sete minutos após a oficialização do resultado eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sagrou-se vencedor com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79%, superando os 59.826.041 votos de Flávio, que representaram 48,21%. O pedido foi imediatamente referendado pelo magistrado.








