A população de baleias-jubarte no Brasil passou de uma faixa entre 1,5 mil e 2 mil animais no início da década de 1990 para mais de 35 mil exemplares registrados recentemente. Essa recuperação expressiva é fruto de décadas de monitoramento científico, conservação e proibição da caça comercial, que havia quase dizimado a espécie no litoral brasileiro.
Monitoramento e expedições científicas em Abrolhos As expedições científicas que partem de Caravelas, na Bahia, em direção ao arquipélago dos Abrolhos desempenham papel central na catalogação dos animais. Durante o trajeto, pesquisadores registram borrifos, fotografam as caudas — cujos desenhos funcionam como impressões digitais — e coletam amostras de pele e gordura para biópsias com o auxílio de balestras.
Ciência colaborativa e novas tecnologias O uso de inteligência artificial em plataformas globais permite cruzar dados de marcas caudais para identificar indivíduos já catalogados. Além disso, o emprego de imagens de drone revolucionou as pesquisas de campo, possibilitando análises detalhadas sobre o comprimento, o peso e o estado de saúde dos cetáceos ao longo das temporadas.
Desafios atuais e preservação marinha Apesar do sucesso populacional, os animais enfrentam ameaças contemporâneas como a poluição por microplásticos e as mudanças climáticas que afetam a disponibilidade de krill nas regiões polares. O Instituto Baleia Jubarte atua na mitigação desses impactos, auxiliando na criação de políticas públicas e na adequação de rotas de navegação comercial para proteger as rotas migratórias.
Parcerias estratégicas e financiamento contínuo Com o patrocínio de longa data da Petrobras, que viabilizou repasses recentes de cerca de R$ 30 milhões para um ciclo de quatro anos, o instituto expandiu sua atuação nacional. Esse suporte financeiro garante a continuidade das pesquisas de campo, o apoio a dezenas de pós-graduandos e a consolidação de um dos maiores acervos de dados sobre mamíferos marinhos do país.








