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Ex-agente de Israel é ligado à saída de Flávio Bolsonaro para os EUA

Documentos de imigração revelam detalhes da travessia terrestre e do uso de jatinhos na viagem do senador rumo a Miami

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Ex-agente de Israel é ligado à fuga de Flávio

A participação de um homem apontado como ex-agente do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, entrou no radar das investigações sobre a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. Registros indicam que Menachem Booky Halevy estava em uma van que cruzou a fronteira com a Argentina momentos antes do veículo que transportava o parlamentar e seus familiares com destino a Puerto Iguazú.

A movimentação nas fronteiras Dados do sistema migratório argentino mostram que Menachem ingressou no território brasileiro em 19 de outubro, passando por Guarulhos (SP). Na noite do dia 27 de outubro, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., situada em Foz do Iguaçu, realizaram a travessia da fronteira. A primeira conduzia a mulher e as filhas do congressista, enquanto a segunda levava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o ex-integrante da inteligência israelense.

O sistema migratório registrou três entradas de Flávio na mesma van utilizando documentos diferentes: às 22h37 com passaporte italiano, às 22h40 com carteira de motorista e às 23h11 com passaporte brasileiro. Posteriormente, os registros com a documentação nacional foram cancelados, mantendo válida apenas a entrada pelo documento da Itália. O condutor do veículo afirmou ter sido contratado para transportar dois homens de Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto Iguazú, negando ter avistado familiares do político.

Apuração sobre os voos Apesar do registro terrestre, a Polícia Federal analisa a hipótese de que o senador tenha deixado o Brasil nas primeiras horas do dia em um jatinho associado ao advogado e amigo Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro em um esquema ligado a apostas esportivas. Ambos cumprem ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a proibição de contato entre os dois. Vale ressaltar que o parlamentar não possui mandado de prisão expedido contra si.

De acordo com as apurações, o candidato derrotado à Presidência teria embarcado em Brasília, às 5h05 do dia 27 de outubro, em um Cessna Citation Excel rumo a San Fernando, na Argentina. Desse ponto, a família seguiu em um Gulfstream G400 que decolou de Puerto Iguazú com destino a Miami, realizando uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, e evitando o espaço aéreo brasileiro.

Posicionamentos oficiais A defesa do senador repudiou o termo utilizado para descrever a viagem. Em nota oficial, o advogado Frederick Wassef declarou: “Nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada”. O texto acrescenta: “Eventuais vazamentos de informações são ilegais e contribuem para a construção de narrativas distorcidas dos fatos.”

A nota prossegue afirmando que “Flávio Bolsonaro não fugiu. A utilização do termo ‘fuga’ é falsa e não corresponde à realidade”, pontuando ainda que “o senador não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu e não possui condenação criminal. Tem sua ficha limpa e recebeu quase 60 milhões de votos”. Por fim, a defesa reforça que “a informação de que Flávio Bolsonaro teria fugido é falsa e configura desinformação (fake news)”.

Por sua vez, a assessoria de Willer Tomaz negou qualquer relação entre suas aeronaves e o deslocamento da família do senador, afirmando que as movimentações financeiras foram totalmente rastreáveis.

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