Operação policial conjunta é deflagrada contra o "Tribunal do Crime"
Ações ocorreram na Ilha dos Valadares e no Porto dos Padres. Um dos alvos reagiu e acabou morto.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da 1ª Subdivisão Policial (SDP) de Paranaguá, deflagrou nesta terça-feira (02/06) a Operação Soberania, uma ação integrada com a Polícia Militar e a Força Nacional voltada ao combate à criminalidade organizada no litoral paranaense.
O principal objetivo da ofensiva foi desarticular células de uma organização criminosa que vinha atuando como um verdadeiro “tribunal do crime” em Paranaguá, promovendo julgamentos clandestinos e executando integrantes de grupos rivais em meio à disputa pelo controle do tráfico de drogas na cidade.
As diligências ocorreram principalmente na Ilha dos Valadares e no bairro Porto dos Padres, onde as forças de segurança cumpriram 10 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão.
Até o momento, o balanço da operação aponta o cumprimento de três mandados de prisão preventiva, uma prisão em flagrante por tráfico de drogas e a morte de um suspeito durante confronto com equipes policiais.
Segundo a PCPR, durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão, um dos alvos reagiu à abordagem e efetuou disparos contra policiais militares, que revidaram à agressão. O suspeito morreu no local.
As forças de segurança informaram ainda que um dos investigados segue foragido. As buscas continuam de forma ininterrupta para localizá-lo e efetuar sua captura.
As investigações que embasaram a Operação Soberania revelam uma sequência de crimes violentos atribuídos ao grupo criminoso. Um dos casos envolve o desaparecimento de um adolescente de 17 anos, ocorrido em 17 de março deste ano. Conforme apurado pela polícia, o jovem foi atraído da Praça do Araçá, colocado à força em um veículo e posteriormente executado na Ilha dos Valadares. O corpo foi encontrado quatro dias depois.
As investigações apontam que o adolescente teria sido “condenado” pelo chamado tribunal do crime após fazer, durante partidas de jogos online, gestos considerados alusivos a uma facção rival.
Outro caso investigado ocorreu em abril, quando um casal foi sequestrado em um bar na Ilha dos Valadares. As vítimas foram colocadas à força em um táxi, levadas até uma região de manguezal e executadas com diversos disparos na cabeça. Os corpos foram encontrados com mãos e pés amarrados.
De acordo com as investigações, o casal teria sido morto após ser rotulado como “cagueta” pelo grupo criminoso, expressão utilizada para identificar supostos delatores.
As apurações da PCPR apontam que os criminosos haviam instaurado um sistema paralelo de julgamento dentro da disputa entre facções rivais. Pessoas suspeitas de colaborar com grupos adversários ou repassar informações eram sequestradas, torturadas e executadas.
Em nota, as forças de segurança destacaram que a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e Força Nacional reforça o compromisso das instituições com a manutenção da ordem pública e o enfrentamento ao crime organizado no litoral do Estado.
As investigações seguem em andamento.
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