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Temporal em Francisco Beltrão foi causado por microburst, diz Simepar

Fenômeno extremo levantou automóvel no Sudoeste paranaense e surpreendeu meteorologistas com rajadas violentas e localizadas

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Simepar aponta microburst em temporal que levantou carro em Francisco Beltrão; entenda o fenômeno

O temporal severo que atingiu a cidade de Francisco Beltrão, localizada no Sudoeste do Paraná, na noite desta segunda-feira (21), não foi provocado por um tornado, conforme apontou o levantamento técnico do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A instabilidade, que teve força suficiente para erguer um automóvel em uma arena esportiva, foi classificada como um microburst.

Como o Simepar identificou o microburst

Os especialistas do órgão ambiental examinaram registros de radar meteorológico, dados de satélite e arquivos visuais fornecidos pela Defesa Civil das áreas afetadas. Os registros em vídeo mostravam claramente um carro sendo erguido pela força da ventania e arremessado contra outro veículo, o que inicialmente gerou suspeitas sobre a ocorrência de um tornado. Contudo, os exames iniciais descartaram essa hipótese por falta de indícios conclusivos.

Entenda a dinâmica do microburst

O evento ocorre quando uma corrente de ar extremamente fria e densa despenca de uma nuvem de tempestade em direção à superfície. Ao chocar-se contra o solo, o fluxo se dispersa rapidamente de forma radial, gerando rajadas altamente destrutivas em uma área restrita.

Diferente dos tornados, que dependem de uma coluna giratória de ar, o microburst caracteriza-se pelo movimento vertical descendente que se espalha horizontalmente logo após tocar o chão. Trata-se de uma versão concentrada do chamado downburst, com abrangência menor que quatro quilômetros e duração de poucos minutos, conceito também adotado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Estragos e instabilidade no Paraná

Mesmo com curta duração e alcance restrito, a forte ventania associada ao fenômeno tem capacidade para arrancar telhados, derrubar árvores e deslocar objetos pesados, a exemplo do incidente registrado no município paranaense.

A tempestade fez parte de um sistema de instabilidade impulsionado pelo deslocamento de uma frente fria, que também provocou estragos com chuvas intensas e granizo em Curitiba, Londrina, Paiçandu, Araruna, Mariluz e Peabiru na mesma data.

Para esta terça-feira (22), a previsão indica continuidade da instabilidade no estado. Em Francisco Beltrão, a projeção aponta novas precipitações e ventos que podem alcançar 43 km/h. A recomendação da Defesa Civil é buscar refúgio em construções seguras durante os temporais, mantendo distância de árvores, fiações elétricas e estruturas metálicas.

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