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Medo de inteligência artificial destruir empregos é global

Pesquisas revelam que impacto da tecnologia já afeta contratações de jovens e altera a rotina nas empresas.

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Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece

O receio de que a inteligência artificial assuma o controle do mercado de trabalho e provoque uma onda de desemprego não se limita a poucas nações. Levantamentos recentes apontam que essa apreensão se manifesta em múltiplas regiões do planeta e em diferentes esferas profissionais.

Em vez de uma demissão em massa repentina, os primeiros reflexos da tecnologia se manifestam de forma sutil, alterando principalmente o ingresso de novas gerações nas empresas e a forma como o uso dessas inovações é regulado internamente.

O pessimismo global em relação às vagas

Um estudo conduzido pelo Pew Research em 37 países demonstra a amplitude dessa apreensão. Em 34 dessas nações, a população considera mais provável que a inteligência artificial diminua postos de trabalho nas próximas duas décadas do que crie novas oportunidades.

Na média dos países analisados, 46% dos entrevistados preveem uma retração no número de vagas, enquanto apenas 9% aguardam um crescimento. Além disso, cerca de 25% dos participantes afirmaram não saber o que antecipar para o futuro.

O ceticismo atinge patamares ainda mais elevados em nações desenvolvidas. Estados Unidos registram 71%, enquanto Austrália e Coreia do Sul alcançam 76% de cidadãos que preveem uma redução nas oportunidades de trabalho por causa da tecnologia.

O impacto inicial na contratação de jovens

Uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab, baseada em dados de folha de pagamento da ADP até junho de 2026, identificou reflexos notáveis entre profissionais com menos idade nos Estados Unidos. O emprego de trabalhadores entre 22 e 25 anos em funções altamente expostas à tecnologia está 19% abaixo da expectativa, quando comparado a ocupações com menor exposição.

Os responsáveis pelo levantamento ressaltam que isso não significa que 19% desses indivíduos perderam seus cargos por causa da inovação. O cenário aponta para uma retração nas novas contratações, concentrando as mudanças na porta de entrada das companhias, enquanto profissionais experientes mantiveram estabilidade ou crescimento.

Adoção oculta e falta de preparo nas empresas

Outro levantamento, realizado pela Deloitte UK com 25 mil profissionais, revela que 63% usam inteligência artificial generativa no cotidiano profissional, e quase um quarto recorre a essas ferramentas diariamente. O dado mais chamativo é que 31% dos usuários admitem utilizar os recursos sem o conhecimento do empregador, prática conhecida como shadow AI.

A pesquisa também destaca que 49% dos trabalhadores não receberam capacitação oficial para operar os sistemas com segurança, elevando os riscos de vazamento de dados corporativos para plataformas externas.

Colaboração entre humanos e máquinas

Investigações do Stanford SALT Lab com 1.500 profissionais indicam que, em 46,1% das tarefas avaliadas, os trabalhadores viram com bons olhos a automação para ganhar tempo em atividades centrais. Em muitas ocupações, a preferência recai sobre um modelo de parceria, onde humanos e algoritmos dividem as responsabilidades.

O debate sobre o futuro profissional continua a ser moldado tanto pelo discurso inicial da própria indústria tecnológica sobre revoluções industriais quanto pelas reações práticas do mercado diante da chegada dessas ferramentas.

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