A Polícia Científica do Paraná (PCIPR) passou a contar com um equipamento de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) para identificar drogas, medicamentos e produtos falsificados ou adulterados, como vinhos, azeites e bebidas alcoólicas. Com a aquisição, a instituição se torna a primeira Polícia Científica estadual do Brasil a utilizar essa tecnologia, que, na perícia oficial brasileira, era empregada até então apenas pela Polícia Federal.
Instalado na Seção de Química Forense, o equipamento Bruker Fourier 80 fornece informações sobre a estrutura molecular das substâncias. Os dados auxiliam na identificação e caracterização de compostos químicos, complementando os resultados de outros métodos utilizados nos laboratórios.
Entre as aplicações estão a análise de drogas de abuso, a identificação de novas substâncias psicoativas e a caracterização de medicamentos. A tecnologia também permite examinar alimentos e bebidas, identificando diferenças na composição que possam indicar falsificações ou adulterações.
De acordo com o diretor-geral da PCIPR, Ciro Pimenta, a aquisição amplia as possibilidades de exames periciais e fortalece a produção de provas técnico-científicas. “Amplia o escopo de exames periciais e oferece novas possibilidades para a identificação e a caracterização de substâncias. Fortalecemos a produção de provas técnico-científicas e ampliamos o suporte aos procedimentos criminais, contribuindo para que as autoridades tenham informações qualificadas para a correta elucidação dos casos”, afirma.
Segundo Gabriela de Moraes Pinto, chefe da Química Forense da instituição, o equipamento também poderá auxiliar na identificação de substâncias desconhecidas e na análise de misturas. “Ele pode ser utilizado na identificação de drogas, medicamentos, solventes e substâncias desconhecidas, além de ajudar na análise de misturas. É uma ferramenta que complementa os equipamentos já existentes no laboratório e amplia nossas possibilidades de investigação, permitindo análises mais completas e resultados mais confiáveis”, explica.
A utilização da tecnologia na rotina do laboratório depende da implementação e validação dos métodos de análise, além da capacitação dos profissionais.
A coordenadora-geral do NAPI Segurança Pública e Ciências Forenses e diretora do Setor de Ciências Exatas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Caroline Da Ros, considera a aquisição um marco para o fortalecimento da ciência forense no país. “Além de ampliar significativamente as possibilidades de aplicação da Ressonância Magnética Nuclear em análises periciais, a iniciativa demonstra o pioneirismo da Polícia Científica do Paraná e sua visão estratégica de futuro, ao investir em tecnologias inovadoras e em um modelo de atuação colaborativa”, afirma.
Caroline também destaca a possibilidade de integrar o equipamento a uma rede nacional de RMN, permitindo o compartilhamento de conhecimentos e capacidades de análise. “É uma conquista que vai muito além da aquisição de um equipamento: é um avanço na consolidação de uma ciência forense moderna, integrada e conectada aos melhores padrões internacionais”, diz.
O equipamento custou aproximadamente R$ 2 milhões. Os recursos foram repassados integralmente pela Loteria do Estado do Paraná (Lotopar).










