A renomada Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta quinta-feira (5) o título de doutor honoris causa à escritora Conceição Evaristo. Com essa honraria, a autora amplia sua galeria de reconhecimentos acadêmicos, tendo recebido a mesma comenda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2025, além da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no mesmo ano.
Trajetória e reconhecimento acadêmico
Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, relembrou o período em que a romancista passou pelos bancos escolares da Faculdade de Letras da instituição federal de ensino.
“E tornou-se essa grande escritora reconhecida nacional e internacionalmente. Celebramos uma das maiores escritoras da literatura brasileira contemporânea, uma intelectual extraordinária e sobretudo uma mulher negra cuja trajetória representa a força transformadora da educação, da cultura e da resistência.”
Natural de Belo Horizonte, a ensaísta, pesquisadora e ficcionista possui uma bibliografia composta por oito livros publicados. Um dos destaques é a obra Olhos d’água, que alcançou a terceira colocação na categoria contos e crônicas do Prêmio Jabuti em 2015 e ganhou traduções para cinco línguas diferentes. A própria premiação ainda a consagrou como personalidade literária no ano de 2019.
Impacto na universidade e na literatura
Ao discursar no evento solene, a homenageada pontuou a relevância da abertura institucional para a pluralidade de saberes e perspectivas.
“A felicidade maior que tenho é pensar que nós, mulheres negras, ao sermos reconhecidas como intelectuais, na medida em que a academia também se abre para compreensão de outros lugares epistêmicos, a academia lucra muito, porque talvez aí seja a possibilidade desses espaços acadêmicos estarem realmente compondo ou fazendo justificativa ao nome de universidade”
Além de sua produção artística, a romancista é amplamente conhecida por cunhar o termo escrevivência — fusão entre os atos de escrever e vivenciar — e por atuar incansavelmente na defesa dos direitos femininos e da igualdade racial. A ativista também fomenta ativamente a criação literária nas periferias, dando visibilidade a novos autores e, de maneira destacada, a escritoras negras.








