O mercado financeiro brasileiro registrou forte volatilidade nesta quinta-feira (5), com o dólar fechando em alta e a bolsa de valores encerrando o pregão em terreno negativo. A aversão ao risco nos mercados internacionais ditou o ritmo dos negócios, impulsionada pelas perdas expressivas em Wall Street.
Impacto do exterior no câmbio
O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,67%, cotado a R$ 5,488, aproximando-se da marca de R$ 5,49. A alta acompanhou a deterioração do cenário externo, especialmente no mercado acionário dos Estados Unidos, onde ações ligadas à inteligência artificial e tecnologia registraram tombos expressivos.
Esse movimento global fez com que investidores buscassem proteção na moeda americana. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA com uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,1% e atingiu 101,560 pontos, enquanto ativos de países emergentes perderam espaço.
Desempenho da bolsa e juros
O principal indicador da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuou 0,82% e terminou a sessão aos 166.191,45 pontos, movimentando um volume financeiro de R$ 31,16 bilhões. O índice chegou a operar em alta e bateu máxima de 168.994,33 pontos, mas perdeu força ao longo do dia.
No cenário interno, o mercado repercutiu a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cinco cortes consecutivos na taxa básica de juros. Além disso, a divulgação de que a produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro na comparação com agosto também entrou no radar dos investidores.
Reunião ministerial e cenários globais
Investidores também acompanharam de perto as discussões sobre a agenda econômica do governo. O presidente Lula reuniu-se com ministros e conselheiros para debater os rumos fiscais do país. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou: “o governo pretende aprofundar a análise de medidas econômicas, sem anunciar ações específicas”. Durigan também acrescentou que houve convergência entre os participantes sobre o diagnóstico econômico e reiterou o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas e a melhora gradual dos resultados primários.
Enquanto isso, os índices de Wall Street fecharam com quedas fortes: o Nasdaq despencou 5,52% aos 24.315,00 pontos, o S&P 500 recuou 4,36% aos 7.353,73 pontos, e o Dow Jones caiu 3,44% aos 51.523,06 pontos. A forte retração nas bolsas americanas refletiu temores com investimentos no setor tecnológico após as eleições de meio de mandato.








