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Subsídios federais mantêm 70% dos recursos em combustíveis fósseis

Estudo revela que o Brasil destinou R$ 77,16 bilhões para o setor energético em 2025, priorizando carvão, petróleo e gás natural.

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Renováveis ganham espaço, mas fósseis concentram 70% dos subsídios

O governo federal destinou mais de 70% dos subsídios ao setor energético para os combustíveis fósseis no último ano. A constatação aponta que as fontes de energia que impulsionam o aquecimento global e eventos climáticos extremos ainda recebem a maior parte dos incentivos oficiais no país.

Os dados fazem parte da 9ª edição do Monitoramento dos Subsídios Federais às Fontes de Energia no Brasil, elaborado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O montante total aplicado pelo país no setor atingiu R$ 77,16 bilhões em 2025, sendo que o petróleo, o gás natural e o carvão vegetal absorveram R$ 54,12 bilhões, o equivalente a 70,14% dessa fatia.

Transição energética e desigualdade nos incentivos Em contrapartida, as fontes renováveis como energia solar, eólica e eletrificação de frotas receberam R$ 23,04 bilhões. Na prática, a proporção indica que para cada R$ 1 direcionado às energias limpas, os combustíveis fósseis receberam R$ 2,35.

Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc e coautora da pesquisa, aponta que o modelo atual contradiz as exigências globais de redução de emissões. “Não se trata apenas de comparar quanto o país destina a cada fonte de energia, mas de avaliar quais atividades estão sendo incentivadas, quem se beneficia desses recursos e como essas escolhas se relacionam com os compromissos de transição energética”, destaca.

Expansão das renováveis e geração distribuída Apesar da disparidade, o apoio financeiro às renováveis registrou alta de 20,89% em 2025 na comparação com o ano anterior. O principal motor dessa expansão foi a geração distribuída, que somou R$ 14,71 bilhões e representou quase 64% do total destinado às fontes limpas.

Contudo, Cássio Cardoso Carvalho, também assessor político do Inesc, alerta para os riscos sociais desse modelo, já que os mecanismos de financiamento acabam encarecendo a tarifa para quem não possui sistemas próprios de captação. “A política de subsídios precisa combinar a expansão das fontes limpas com critérios de justiça distributiva, redução da pobreza energética e ampliação do acesso à energia”, complementa.

Caminhos para a reforma do setor energético Entre os mecanismos fósseis mais beneficiados, a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) movimentou R$ 14,11 bilhões para suprir sistemas isolados de eletricidade, como termoelétricas a óleo diesel. Para os especialistas, reestruturar esses gastos é urgente para viabilizar as metas ambientais do país. “Há setores que já não necessitam do mesmo nível de incentivo, seja por razões relacionadas à transição energética, seja pela própria viabilidade econômica de suas atividades. Nesse sentido, a reforma pode direcionar recursos para setores da economia que enfrentam maiores desafios”, conclui Cássio Carvalho.

Por sua vez, o Ministério da Fazenda pontuou que o levantamento do Inesc retrata um cenário anterior a medidas excepcionais adotadas em 2026 para conter impactos da volatilidade internacional do petróleo. O órgão ressaltou ainda que iniciativas como a Lei dos Combustíveis do Futuro e o Plano de Transformação Ecológica buscam reequilibrar o mercado energético nacional e cumprir as metas climáticas estabelecidas.

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