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Defesa de Daniel Vorcaro aponta alteração em celular apreendido pela PF

Laudo pericial entregue ao Supremo Tribunal Federal questiona a confiabilidade das provas digitais obtidas contra o fundador do Banco Master.

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Defesa de Vorcaro diz que celular teve alterações na PF

A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apontou nesta quinta-feira (29) que centenas de arquivos presentes no smartphone do empresário sofreram modificações ou foram criados após a apreensão do dispositivo pela Polícia Federal. A contestação foi formalizada por meio de uma nota pública baseada em uma perícia técnica particular, que já foi protocolada no Supremo Tribunal Federal.

Questionamento das provas digitais De acordo com os advogados, o documento coloca em dúvida a validade e a integridade de todo o material digital utilizado nas investigações contra o executivo. A equipe jurídica aponta que o aparelho teria sido manipulado durante o período em que esteve sob a custódia das autoridades, sem que houvesse qualquer registro oficial documentando essas ações.

Modificações e cronologia pericial Conforme o levantamento técnico, apenas no dia 18 de novembro de 2025, um dia após a captura do telefone, 657 arquivos foram modificados — incluindo 59 bancos de dados. Além disso, 436 novos itens foram gerados, englobando 94 imagens e 5 bancos de dados. O celular havia sido confiscado em 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro.

Atividades registradas durante a madrugada O laudo também mapeou intensa atividade no dispositivo durante as primeiras horas do dia 18 de novembro, período em que o telefone já estava com os investigadores. Foram contabilizados 207 eventos de tela, 33 acionamentos da câmera frontal para reconhecimento facial e três conexões por meio da entrada USB.

“O banco de dados do WhatsApp foi modificado às 1h48min14s, seis segundos depois de uma dessas conexões. Registros de senhas foram criados ou modificados entre 2h03 e 2h25. Nada disso consta do termo de apreensão. O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado”, afirmam os advogados.

Lacunas na documentação e pedidos ao STF Além das alterações no conteúdo, a defesa destacou falhas na cadeia de custódia e ausência de informações essenciais, como dados completos do aparelho, controle de lacres e o rastro documental das etapas de extração. Os advogados também criticaram o fato de a Polícia Federal ter repassado apenas um relatório derivado, sem os arquivos originais e os códigos hash.

“A conclusão do perito não deixa margem a dúvida. Com os elementos disponibilizados, não é possível verificar a integralidade do conteúdo extraído, a sua correspondência com o relatório entregue, nem a origem e o alcance das alterações registradas entre a abordagem e a extração. Em outras palavras, a prova central da investigação não pode, hoje, ser submetida a uma verificação técnica elementar. […] Uma prova cuja integridade não pode ser verificada não pode sustentar acusação alguma”, diz a nota.

Diante do cenário, o material foi levado ao STF com o pedido formal para que os dados originais sejam rigorosamente preservados, acompanhados de registros técnicos que assegurem sua autenticidade. Os representantes de Vorcaro também exigem acesso integral a toda a documentação referente ao manuseio e análise do equipamento.

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