A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova resolução contrária ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha, medida que vigora há mais de seis décadas. Apesar de registrar o menor apoio em 30 anos, o embaixador cubano no Brasil celebrou o resultado diplomático.
A pressão da diplomacia norte-americana
O documento obteve 130 votos favoráveis — com o apoio do Brasil —, além de 17 votos contrários e 25 abstenções. Historicamente, a pauta superava a marca de 190 votos favoráveis. A redução no apoio decorre de uma articulação direta do governo de Donald Trump para persuadir nações aliadas a rejeitarem o texto. Enquanto em 2024 apenas Israel e os EUA votaram contra, o bloco de oposição subiu para 17 países, incluindo Argentina, Colômbia e Paraguai. Nações como Chile e Peru, que tradicionalmente apoiavam a ilha, optaram pela abstenção.
Impacto humanitário e crise energética
Durante encontro em Brasília, o diplomata destacou o elevado custo humano provocado pelas restrições econômicas de Washington. Entre 2025 e 2026, com o acirramento das sanções sob a gestão Trump, a mortalidade infantil no território cubano subiu de 4,4 para 9,9 óbitos a cada mil nascimentos.
“Foram mais de 1,5 mil crianças que morreram em Cuba por não ter acesso a medicamento e por falta de combustível para manter as incubadoras daqueles que nascem prematuramente ou com baixo peso. Não são apenas números, são vidas”, lamentou.
O endurecimento também gerou apagões superiores a dez horas diárias em Havana, devido a ameaças direcionadas a fornecedores de petróleo. A escassez de combustíveis compromete serviços essenciais, a indústria, a conservação de alimentos e o transporte público.
Sanções secundárias e efeitos globais
O representante diplomático argumenta que a política de asfixia econômica afeta a comunidade internacional como um todo, citando as sanções secundárias aplicadas a empresas estrangeiras que negociam com o país caribenho.
“As sanções secundárias têm um impacto tremendo. Temos mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba parados em portos de todo o mundo porque as transportadoras não querem entregar. Chegam à Jamaica e deixam lá porque os donos dos navios têm medo de represálias dos EUA”, explicou.
Novas medidas restritivas abrangeram o setor de turismo, provocando a saída de companhias hoteleiras internacionais, a suspensão da bandeira Visa e a redução de voos. Recentemente, o Departamento de Estado americano impôs barreiras a empresas de tecnologia ligadas ao território cubano, enquanto a Justiça dos EUA decretou a prisão do ex-presidente Raúl Castro.
Reforma econômica e transição energética
Para mitigar os efeitos do embargo e estimular o desenvolvimento interno, o governo cubano implementou uma ampla reforma econômica. O embaixador ressaltou que a administração local busca alternativas urgentes para superar a crise.
“Estamos mudando a matriz energética para energia solar de maneira acelerada com ajuda a China e estamos trabalhando muito forte na produção de alimentos porque nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba”, concluiu.







