–:–:–
Conecte-se conosco

Carta golpista e fuga isolam senador Flávio Bolsonaro

Aliados políticos, partidos da base e líderes de direita se distanciam após contestação do resultado eleitoral.

32 visualizações
Fuga e carta golpista ampliam isolamento de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro enfrenta um cenário de isolamento político após sua saída do país e a divulgação de uma carta golpista, na qual se autoproclamava presidente eleito e líder da oposição. A recusa em aceitar a derrota no segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou reações contrárias até mesmo entre aliados e ex-aliados, que passaram a defender publicamente o resultado das urnas.

Posicionamento de partidos políticos

O descontentamento com a postura do parlamentar se refletiu em notas oficiais de siglas importantes. O União Brasil, partido que integrou a base de apoio, emitiu comunicado assinado pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, reforçando o compromisso democrático.

“O União Brasil reafirma que a democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, afirma o documento.

A legenda também declarou que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.

O MDB adotou postura semelhante e utilizou as redes sociais para reiterar sua confiança no processo eleitoral, mesmo tendo parte de sua liderança apoiado a campanha de Flávio.

“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, declarou a legenda.

Até mesmo o PL, partido do próprio senador e de seus familiares, reconheceu a vitória de Lula. Além disso, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha, admitiu a inexistência de fraudes no segundo turno.

Reações de líderes da direita e religiosos

Entre os governadores, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, também se manifestou e ponderou que o momento exige cautela institucional. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas destacou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.

“As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, disse o pastor nas redes sociais. “Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil”.

A declaração partiu do bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada pelo parlamentar, que também defendeu o respeito ao resultado que elegeu Lula.

Críticas à atuação à distância

A estratégia de comandar a oposição do exterior foi alvo de duras críticas do ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão). Para ele, a tentativa de se posicionar a partir dos Estados Unidos assemelha-se ao caso de Juan Guaidó na Venezuela, mas sem justificativa real, visto que o PL segue operando normalmente.

“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.

Classificando a movimentação como uma “oposição EAD”, o político criticou a eficácia dessa liderança internacional para os interesses nacionais.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, declarou.

A repercussão negativa da carta e da viagem consolida um momento de distanciamento entre o senador e as principais forças políticas que compunham seu arco de alianças.

Mais em Política

Ver tudo →