Antes de adotar o nome artístico Linka Moja e construir uma carreira musical em ascensão, Emma Routhier cursava economia na Califórnia e não imaginava trabalhar com arte. Tudo mudou quando a jovem participou de uma colônia de surfe organizada por Kelly Slater e, durante o jantar, voluntariou-se para tocar algumas músicas e substituir temporariamente quem se apresentava no evento. O músico em questão era Eddie Vedder.
Origem do nome e estilo musical
Misturando influências de folk, classic rock e pop alternativo, a cantora explica que seu pseudônimo carrega um significado afetivo profundo. O termo surgiu da união de um apelido carinhoso de sua infância eslovaca com a palavra que significa “minha” no mesmo idioma, resultando em algo semelhante a “minha querida”.
A chegada ao Brasil e a surpresa com o sucesso
A trajetória incomum da artista agora a conduzirá ao Brasil para apresentações no festival Best of Blues and Rock 2026, marcado para os dias 20, 21 e 22 de novembro no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Sobre a repercussão de sua escalação para o evento, ela declarou:
“Sinceramente, quando me disseram que ia acontecer, eu pensou: ‘Tem certeza de que me querem?’. Ainda não consegui assimilar tudo. E com a quantidade de pessoas para quem vou tocar… acho que se eu pensar demais nisso, posso ficar nervosa, mas por enquanto estou muito, muito animada e muito grata.”
A relação com Eddie Vedder e Roger Daltrey
O vocalista do Pearl Jam não apenas se impressionou com a performance casual da jovem naquela noite na Califórnia, como também passou a atuar como um verdadeiro padrinho artístico, escalando-a para o Ohana Festival e conectando-a com seu atual empresário. Sobre o episódio inicial, Routhier admitiu:
“Sinceramente, ainda bem que eu não sabia, porque senão provavelmente nunca teria feito isso. Além disso, eu estaria muito nervosa para tocar minhas músicas autorais.”
A artista também relembrou o momento daquela apresentação improvisada:
“Eu não estava bebendo nem usando drogas, mas, genuinamente, não me lembro desse momento. Foi como se o universo tivesse me levado e me feito fazer isso. Foi quase como uma experiência extracorpórea. Mas, no geral, me sinto muito confiante na minha música, e é quase a única música que sei tocar.”
Outro nome lendário que impulsionou sua carreira foi Roger Daltrey, vocalista do The Who, que a levou como ato de abertura em sua turnê solo pelo Reino Unido em 2025. Sobre a generosidade do veterano, a cantora destacou:
“Ele mesmo me disse que se importa muito com a nova geração da música e com artistas promissores. E disse que muitas vezes, no palco, quer dar trabalho aos artistas, quer contribuir. Então, acho que isso também o atraiu, essa ideia de ajudar alguém que ainda não tinha muita coisa. E eu, sim, sou muito grata a ele. Foi muito divertido.”
Liberdade criativa e influências da geração Z
Mantendo versatilidade em sua discografia ao explorar sonoridades que vão desde o dance music até o alternativo barulhento, Linka prefere não se prender a rótulos rígidos ou expectativas de público neste momento inicial:
“Eu ainda não me prendi a um estilo ou a uma base de fãs específica. Então, ainda tenho muita liberdade. Acho que as pessoas que ficam muito populares acabam se apegando ao que estão fazendo. Então, por enquanto, provavelmente vou continuar explorando o que me faz sentir bem. E ver o que sai de dentro de mim.”
Embora hoje grave releituras de nomes como Pixies e Beatles, suas principais referências musicais continuam fincadas em artistas contemporâneos que dialogam diretamente com sua faixa etária:
“Eu adorava a Hayley Williams, do Paramore. Fui obcecada pelo Twenty One Pilots por muito tempo. Tipo uma adolescente meio deprimida. Acho que eles conseguem, eles fazem um ótimo trabalho ao capturar uma emoção muito humana. E eu também quero fazer isso.”
Com ingressos esgotados para as datas de 20 e 22 de novembro — que terão Eddie Vedder como atração principal —, a musicista se consolida como uma das grandes promessas da nova safra do rock alternativo internacional a desembarcar em solo brasileiro.







