A DC Studios continua ampliando a diversidade de gêneros em seu novo universo cinematográfico agora com a aposta no terror. Sob a liderança de James Gunn e Peter Safran, a produtora busca virar a página após um período irregular de bilheterias e se prepara para o lançamento de
Cara-de-Barro
, previsto para chegar aos cinemas brasileiros em 22 de outubro.
O longa é estrelado por Tom Rhys Harries no papel de Matt Hagen e tem direção assinada por James Watkins, cineasta conhecido por trabalhos como A Mulher de Preto e o remake de Não Fale o Mal. Em entrevista exclusiva concedida cerca de dois meses antes da estreia, a dupla discutiu a ascensão do horror na cultura pop e os bastidores da produção baseada nas HQs.
“Existe algo muito puro na experiência de assistir a um filme de terror, que permite que você sinta aquele arrepio do medo”, afirmou Watkins, ressaltando que produções recentes do gênero dialogam diretamente com as angústias da sociedade contemporânea. Na mesma linha, Harries celebrou a repercussão das tramas macabras: “Acho fascinante que as pessoas sejam atraídas pelo terror como forma de escapismo subvertido. É um veículo para contar histórias realmente empolgantes”.
Gotham urbana e aposta em efeitos práticos
Para estruturar o Batverso, a equipe criativa priorizou a construção de uma Gotham City com visual palpável, inspirando-se na atmosfera de Nova York entre as décadas de 1970 e 1990. As gravações ocorreram na cidade britânica de Liverpool, escolhida justamente por sua arquitetura decadente e pelas condições de iluminação.
O uso reduzido de computação gráfica e telas verdes foi um dos pilares do projeto, remetendo a iniciativas elogiadas em produções recentes de Hollywood. “Tentamos criar uma determinada sensação com a luz. Liverpool nos proporcionou uma iluminação muito boa, que Rob [Hardy, diretor de fotografia] conseguiu complementar usando luzes de tungstênio”, explicou o diretor.
O protagonista reforçou que a riqueza de detalhes nos cenários ajudou na composição dramática: “Eu caminhava pelas ruas e encontrava pequenos panfletos que tinham sido deixados como parte do cenário. O nível de detalhe a que eles chegaram é extraordinário. Tudo isso contribui para essa sensação de imersão. Ou então você vê um carro da polícia de Gotham passando rapidamente por você. É muito legal”.
Terror psicológico e o declínio de Matt Hagen
A trama acompanha a derrocada de uma estrela de Hollywood que sofre graves mutilações e busca um tratamento milagroso, acabando transformada em um monstro com habilidades incontroláveis. Para o diretor, a progressão física e a instabilidade mental do personagem caminham lado a lado.
A complexidade exigiu bastante do ator principal, que precisou lidar com gravações fora de ordem cronológica e com o uso intenso de próteses físicas. “Acompanhar essa progressão foi um verdadeiro desafio, porque raramente filmamos em ordem cronológica. Precisava conhecer o texto o máximo possível para conseguir entrar nesses diferentes estados do personagem”, contou Harries.
O desgaste físico nas filmagens foi intenso, mas o resultado final deixou o elenco satisfeito com a entrega. “No final das filmagens, eu estava completamente esgotado. Dei tudo o que podia para esse filme. E tenho muito orgulho do trabalho que todos colocaram nele”, concluiu o ator.







