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Filme brasileiro de suspense conquista festivais internacionais

Estreia nos cinemas traz mistura de terror e ficção científica estrelada por Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze.

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Atores de ‘Consequências Paralelas’ destacam a força do cinema independente: ‘O Brasil é muito rico em histórias’

Misturando thriller, terror e ficção científica, o longa-metragem brasileiro Consequências Paralelas chega aos cinemas nesta quinta-feira, 15, com distribuição assinada pela O2 Play. Sob a direção de Gabriel França e CD Vallada, a produção independente já acumula 21 prêmios em eventos nacionais e internacionais, destacando-se o troféu de Melhor Filme no Screamfest, nos Estados Unidos, e o reconhecimento de Prêmio do Público no festival Macabro, no México. Além disso, o projeto recebeu seis indicações ao Gran Premio FantLatam, considerado o principal evento de cinema de gênero da América Latina.

Enredo e viagem no tempo A narrativa aborda a viagem no tempo sob uma ótica inovadora. Na história, o casal Pedro (João Fenerich) e Bruna (Carol Macedo), ao lado do amigo Max (Felipe Hintze), encontra uma poltrona que opera como máquina temporal. Contudo, o objeto não leva os indivíduos para eras passadas, mas sim abre portas para realidades alternativas imprevisíveis. O que se inicia como uma exploração curiosa logo evolui para um cenário aterrorizante quando Pedro tenta eliminar Max após testar o artefato, criando uma linha temporal perigosa onde cada escolha pode ser fatal.

Desafios de atuar em uma trama complexa O projeto arranca com um plano-sequência de 19 minutos, criando uma atmosfera estritamente teatral entre o trio de protagonistas. Sem apelar para grandes efeitos visuais, o suspense apoia-se na densidade das relações e na sensação claustrofóbica. Em entrevista, o elenco comentou sobre a experiência de dar vida a papéis intensos.

Felipe Hintze abordou a construção de seu personagem, classificado por ele como um anti-herói. FELIPE: O Max é praticamente um anti-herói. Esse conceito de vilão e mocinho é muito dúbio, porque esses personagens são tão complexos e a gente dá vazão para várias camadas. Então, eu fico muito feliz no momento que eu estou vivendo um personagem central. Os três personagens são centrais da história, mas estar interpretando um personagem central, acho muito importante, tanto na questão de representatividade e também me desafiando num perfil diferente do que o mercado está acostumado a nos colocar. Eu acho que o mercado coloca a gente em caixinhas, e que tanto eu, quanto o João, quanto a Carol, também já fizemos personagens nessas caixinhas e. Nesse filme, a gente tem a oportunidade de fazer algo muito diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver.

Ator e produtor nos bastidores João Fenerich acumulou a função de protagonista e produtor do longa. Ele relatou como foi gerenciar as duas frentes durante a realização da obra. JOÃO: Esse, de fato, é o meu primeiro trabalho como ator e assumindo um ator co-protagonista, mas também como produtor do filme. É muito curioso porque, na verdade, eu não comecei como produtor do filme. Essa posição foi me dada e conquistada também durante o processo, mas, desde o começo, eu já estava encontrando as soluções possíveis e importantes para a realização do filme. E é uma posição que me interessa muito, do ator produtor. Para mim, é muito interessante sentar do outro lado da mesa, de quem decide, de quem toma as decisões. E, principalmente, por entender que o nosso país é muito rico de muitas histórias, de muitas possibilidades, e escolher também, de alguma maneira, que histórias contar. Como contá-las, principalmente. Esse é um caminho que eu não quero abandonar. Eu quero muito fazer outros projetos, de terceiros, mas fazer os próprios projetos. É tanto um aprendizado como uma oportunidade, como um lugar muito interessante de se colocar no mercado também. Ter produzido, sobretudo, um filme de sucesso, como é o Consequências, também me coloca num outro lugar perante o mercado. De perceber as possibilidades que a gente tem, principalmente pelo fato de fazer um filme independente, de baixo orçamento, que chega no patamar que ele chega, significa que a gente produziu de uma forma muito positiva e muito vitoriosa. Então, eu acho que isso é um êxito, principalmente por entender o mercado de uma outra maneira, encontrando soluções diferentes e de baixo custo. É uma posição que eu não quero abandonar. Quero sempre ser conhecido como um ator produtor, um ator que se produz, um ator que está à frente dos projetos.

A intensidade do plano-sequência Sobre a gravação da cena inicial de longa duração, os atores detalharam a tensão no set de filmagem e a preparação exigida para manter o ritmo sem cortes aparentes. CAROL: O cenário já tinha essa energia [de supense] do filme, já estava no cenário. Cada dia parecia que a energia ficava mais densa, ficava mais escura, ficava uma coisa mais angustiante de entrar. Uma sensação de claustrofobia, de imensidão… J: Esse processo da gravação, foi uma primeira diária muito complexa. A gente teve dois dias de preparação. A gente gravava ainda num momento meio pandêmico, o CD, um dos diretores, não estava no set, estava só o Gabriel. Nesses 20 minutos, a gente tinha cinco cortes falsos e chegou num momento que, às quatro da tarde, a gente não tinha nenhum deles. E aí o Gabriel deu o almoço, a gente se reuniu, o Gabriel chegou, juntou a gente, ele olhou pra gente e falou: “Eu preciso que vocês só não olhem pra câmera, eu preciso que vocês só improvisem se precisar.” C: E eu acho uma facilidade do plano sequência, pelo menos pra mim, que venho da TV, de novela, é que a gente faz muito isso e cada dia vem tendo mais cenas assim. Então, acho que isso ajuda um pouco na nossa desenvoltura no cenário e conseguir lidar com essa dinâmica toda da câmera em volta da gente. E eu acho um máximo, acho que tudo que me tira do óbvio, que me tira do meu eixo ali é o que eu mais gosto. E o meu texto era muito difícil, e era quase no final desse plano sequência. Então, eu começava a entrar num pouquinho de ansiedade lá no meio do plano sequência. F: A gente não podia errar. Era a última vez. Ou a gente fazia ou… pensava em outra ideia. Daí, a gente conseguiu fazer e deu muito certo, assim. Então, é… É mágico. J: E eu acho que o motivo muito sucesso dessa cena, há dois elementos muito importantes. Acho que o primeiro é o fato de nós três estarmos na mesma página em termos de preparação, em termos de entendimento de personagem, em termos de objetivos muito claros de pra onde cada personagem iria. E a gente confiava muito uns nos outros ali. Poderia acontecer o que fosse.

O impacto e o futuro do cinema fantástico nacional O reconhecimento internacional coroa a trajetória do filme independente, gerando discussões sobre a valorização e o investimento na cultura brasileira. C: Quando você acredita em algo, principalmente um filme de orçamento baixo, um filme independente, e vê ele chegando onde ele chegou, é uma surpresa muito grande. Ao mesmo tempo da gente saber que ele tinha qualidade, tinha um caminho maravilhoso pra seguir. A gente colocou toda a nossa força ali, a gente acreditou naquele projeto. E agora, estamos colhendo os frutos. F: A gente tá muito feliz. E eu faço essa provocação, assim. Se a gente conseguiu 21 prêmios com esse baixo orçamento, imagina se a gente tivesse dinheiro, sabe? Imagina o que a gente podia alcançar. É muito importante a gente investir em cinema. E o nosso cinema tá fazendo uma carreira maravilhosa internacional. J: Pensando de uma forma mais executiva. Ao longo desse um ano, gente foi pra 25 festivais e ganhou 21 prêmios — o Fê ganhou o Prêmio de Melhor Ator nos Estados Unidos, a gente ganhou o Melhor Roteiro, Direção, Fotografia, Prêmio de Público. São prêmios, em festivais, muito importantes. São prêmios que significam muito, principalmente o Prêmio de Público, que a gente ganhou em festivais muito importantes, como o Macabro, no México. A gente teve uma sala com quase 350 pessoas assistindo. E as pessoas saíam criando as suas próprias teorias, criando as suas próprias perguntas e tudo mais. E agora a gente coroa um pouco dessa trajetória com seis indicações à maior premiação do cinema fantástico dentro da América Latina. Um filme de câmera, praticamente. Três atores em cena. Um filme teatral. Ter os três indicados. É uma celebração desse momento, de chegar no cinema com essas indicações. É muito importante, não só pro nosso filme, mas pra colocar o cinema brasileiro também nesse lugar. Do cinema fantástico, do cinema de gênero. E saber que a gente consegue contar boas histórias, independente de quais forem.

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