Um ataque cibernético massivo comprometeu a operação de mais de 500 supermercados na França durante a madrugada de 2ª feira (12.out.2026). Os invasores invadiram os sistemas de refrigeração de múltiplas redes varejistas, elevaram de forma drástica a temperatura de congeladores e câmaras frias, e resultaram na deterioração de toneladas de mantimentos.
Redes varejistas atingidas pelo incidente
Entre as empresas comercializadoras que sofreram impactos em suas unidades estão gigantes do setor como Intermarché, Netto, Coopérative U, Carrefour, E.Leclerc e Monoprix. O montante financeiro dos prejuízos segue sem um cálculo definitivo, contudo estimativas apontam que a cifra pode alcançar a casa das dezenas de milhões de euros.
Como funcionou a invasão digital
Para sabotar os estabelecimentos, os criminosos reprogramaram as funções de degelo, elevando o parâmetro para 50 °C e estendendo o tempo do procedimento de uma para oito horas. Essa tática evitou que os mecanismos tradicionais de alarme identificassem a falha de imediato. Em uma loja da Intermarché localizada em La Haye, no departamento de Manche, na Normandia, o calor interno chegou a 80 °C, fazendo com que peças dos aparelhos de refrigeração simplesmente derretessem.
A vulnerabilidade no software dinamarquês
A apuração técnica apontou que a invasão ocorreu por meio de uma falha em um software da companhia dinamarquesa Danfoss, empregado na gestão de resfriamento. De acordo com a empresa, a maior parte dos dispositivos atingidos operava com versões desatualizadas, sem receber pacotes de segurança ou melhorias. A própria fabricante já havia emitido avisos públicos a respeito de fragilidades em seus sistemas durante os meses de março e agosto de 2025.
Diante da gravidade da ocorrência, o Ministério Público de Paris instaurou um inquérito sob a tutela do departamento nacional focado em delitos virtuais para mapear os danos e localizar os afetados. Até o momento, nenhuma organização assumiu a responsabilidade pela ação criminosa. Além disso, o gabinete do primeiro-ministro mobilizou a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França para auxiliar nas apurações.







