A disputa pela presidência da República ganhou um novo capítulo jurídico nesta quarta-feira (14.out.2026), quando a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta.
O centro da contestação é uma falha identificada na ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp. Segundo a denúncia, o recurso impediu a produção de imagens contendo o termo “Lula 13”, mas permitiu livremente a criação de materiais gráficos com a frase “Flávio 22”, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois grupos políticos disputam o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25.out.2026).
Acusações de interferência no pleito
Para os representantes jurídicos da candidatura petista, o episódio não se resume a um mero bug tecnológico, mas configura uma interferência direta na paridade de armas entre os concorrentes na reta final da votação.
A petição aponta a existência de uma suposta “seletividade algorítmica”, argumentando que materiais e impulsionamentos ligados a Lula teriam sofrido restrições opacas, enquanto o campo adversário desfrutaria de distribuição privilegiada.
Requerimentos de urgência na Justiça Eleitoral
Diante do cenário, a coligação Brasil Pronto Pra Mais formalizou pedidos de tutela de urgência para mitigar os danos à imagem pública do candidato e reequilibrar o ecossistema digital antes do pleito.
As exigências enviadas à corte eleitoral compreendem a interrupção imediata de qualquer cerceamento aos materiais de campanha, a eliminação de perfis falsos e a reparação dobrada do alcance suprimido, custeada pela própria empresa de tecnologia.
A petição argumenta: “Por isso, o pedido ao TSE é claro e urgente: não basta apenas que a plataforma cesse essa restrição ilegal, é necessário recompor, em dobro, o alcance que foi indevidamente retirado da campanha e seus apoiadores, para reparar o prejuízo antes do dia da votação”
O funcionamento da inteligência artificial
As diretrizes operacionais da Meta IA estabelecem o bloqueio preventivo na criação visual de conteúdos eleitorais associados diretamente aos principais nomes da disputa, incluindo Lula, Luiz, Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
Apesar das regras de restrição, testes práticos demonstraram que o sistema permitiu a fabricação de artes visuais contendo “Flávio 22” em tons de verde e amarelo. Em contrapartida, ao receber a ordem com o nome do petista, o assistente virtual emitiu a seguinte mensagem: “Não consegui gerar essa imagem com o texto Lula 13”.
Questionada sobre a inconsistência no comportamento do algoritmo, a própria tecnologia justificou: “Tive um problema técnico na hora de gerar essa imagem e ela não saiu. Não tenho detalhes do que aconteceu nos bastidores, só sei que a geração falhou aqui”.
Contexto de embates anteriores
Este não é o primeiro atrito entre a chapa governista e as plataformas administradas pela companhia de tecnologia. O grupo político já havia recorrido anteriormente ao TSE e também à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), levantando suspeitas sobre supostas manipulações na entrega de publicações favoráveis ao atual mandatário.
Enquanto a defesa do governo aponta direcionamento político e lembra o bloqueio de contas de anúncios ocorrido durante o primeiro turno, a empresa responsável pelos aplicativos sustenta que oscilações técnicas de infraestrutura motivaram os problemas de distribuição relatados pelos partidos ao longo da corrida eleitoral.







