Novos dados divulgados revelam que o avanço da pecuária e da agricultura atingiu 30,5% dos territórios localizados nas imediações de áreas protegidas, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios Quilombolas na Amazônia.
Expansão e impacto das rodovias
O estudo demonstra que a proximidade de vias de transporte intensifica a pressão sobre a vegetação nativa, que ainda responde por 98% dessas regiões. Do total de 157 milhões de hectares situados a até 5 km dos 618 mil km de rodovias mapeadas, 40,2% são tomados por atividades produtivas, representando 63 milhões de hectares.
À medida que a distância das estradas aumenta, a participação da agropecuária no solo recua para 26,7%. No panorama geral de 2025, o setor produtivo alcançou 65,2 milhões de hectares no bioma, sendo que 13,6 milhões de hectares estão justamente nas zonas de amortecimento das áreas protegidas.
Alertas de especialistas
Para o pesquisador do Imazon Bruno Ferreira, que integra a equipe do MapBiomas Amazônia, essa forma de ocupação é uma ameaça à conservação do bioma.
“As estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, favorecendo processos de ocupação e conversão da terra. No entorno e no interior das áreas protegidas, essa pressão pode se refletir na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que modificam a cobertura e o uso da terra”, alerta.
A análise histórica indica que, em 41 anos, a presença da pecuária e da agricultura disparou 561% nos arredores dos redutos protegidos da região.
Metodologia e o cenário do desmatamento
A pesquisa cruzou os dados da coleção 11 do MapBiomas com malhas viárias oficiais do DNIT e registros do OpenStreetMap, contabilizando caminhos que ultrapassam a infraestrutura rodoviária oficial. Em 2025, o bioma registrou 693 mil hectares de desmatamento, marcando o menor patamar da série histórica. Desse total, 639 mil hectares atingiram vegetação primária, enquanto 54 mil hectares ocorreram em áreas secundárias.
Entre 1985 e 2025, a Amazônia acumulou uma perda de 54,7 milhões de hectares de cobertura nativa, totalizando 74,6 milhões de hectares modificados pela ação humana. As formações florestais foram as mais castigadas, registrando um recuo de 49,7 milhões de hectares, o equivalente a uma queda de 14,8%.
Balanço do uso da terra
Ao fechar o ano de 2025, a agropecuária totalizou 65,3 milhões de hectares na Amazônia, o que corresponde a 15,5% do bioma. Desse montante, a pecuária de pastagem responde por 50,8 milhões de hectares (12%), enquanto a agricultura ocupa 8,6 milhões de hectares (2%). Paralelamente, a mineração saltou de 32 mil para 440 mil hectares no período de 41 anos, ampliando sua ocupação em 14 vezes.







