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Por que o preço do limão disparou nos mercados brasileiros

Excesso de chuvas no começo do ano e quebra na safra pressionam o custo do limão tahiti para o consumidor e o produtor.

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Preço do limão está acima da média, mesmo na entressafra

O valor do limão tahiti registra alta expressiva e supera a média histórica esperada para o período de entressafra nos mercados brasileiros. A escassez de produtos de qualidade no campo faz com que os agricultores repassem os custos diante da dificuldade em garantir a colheita em meio a um cenário de baixa produtividade.

Fatores climáticos e impacto na colheita

De acordo com o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a fruta possui características particulares. “O limão tem como uma de suas características ter uma volatilidade muito alta em seu histórico de preços, diferente do que estamos acostumados a ver em outras plantas. O momento atual é um período bem precário, com uma condição especial de chuvas que afetou a florada no começo do ano”, explicou à Agência Brasil o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Cepea/Esalq.

A umidade em excesso e a predominância de dias nublados nos primeiros meses do ano prejudicaram o desenvolvimento e a coloração dos frutos, além de atrapalharem a colheita nas principais regiões produtoras, concentradas em municípios como Bebedouro e Matão, que respondem por cerca de 68% da área cultivada do cinturão cítrico.

Evolução dos custos no campo e no atacado

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que a média do preço pago ao produtor paulista — responsável por 80% do cultivo nacional — saltou de R$ 32,10 pela caixa de 27,2 kg em junho para R$ 55,60 em julho, alcançando R$ 104,78 em agosto. O acumulado representou um salto de 226,4% no período, ficando 71% mais caro em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Nos principais centros de abastecimento, a alta seguiu o mesmo ritmo. Na Ceagesp, em São Paulo, a cotação passou de R$ 1,82 o quilo em maio para um pico de R$ 8,62 no final de setembro, alta de 374%. Na CeasaMinas, em Belo Horizonte, o aumento foi de 240%, com valores que subiram de R$ 2,50 para R$ 8,50.

Demanda aquecida e concorrência externa

O ciclo comercial da fruta costuma seguir um padrão bem definido. “Normalmente, o mercado do limão funciona da seguinte maneira: em janeiro e fevereiro há o pico da safra. Em março e abril a produção cai, mas fica estável, com a entrada na entressafra propriamente dita em fins de maio. Esse período se estende até meados de setembro, quando começa a entrar a nova safra”, explicou a Conab.

Contudo, a oferta enxuta encontrou concorrência acirrada com o mercado externo, visto que cerca de 11% da produção costuma ser exportada, principalmente para a Europa. Ao mesmo tempo, o aumento nas temperaturas durante os meses de agosto e setembro elevou a procura interna pelo produto.

Perspectivas para o futuro da cultura

A principal florada que abasteceria o segundo semestre sofreu danos severos. “A principal florada para compor a oferta no segundo semestre, ocorrida em julho, foi afetada por chuvas acima da média que caíram nas principais regiões produtoras [Matão e Bebedouro], e essa florada somente deve gerar volume relevante da fruta a partir de meados de novembro”, esclarece a Conab. Além disso, o fenômeno do El Niño no início de 2027 traz alertas para o futuro, embora técnicos ponderem que sua intensidade foi baixa nos meses críticos deste ano. “Mesmo no mês de julho, quando chuvas e ventos anormais afetaram a florada, o fenômeno era de intensidade ainda baixa. Então não podemos afirmar que foi a causa principal das alterações ocorridas nesse mercado. Podemos dizer que contribuiu para essa configuração, mas não foi o fator principal”, avaliam.

A expectativa do mercado é de que a situação comece a se estabilizar com a chegada oficial de uma nova safra no encerramento do ano, embora os especialistas alertem que os reflexos climáticos adversos possam continuar gerando impactos nos próximos ciclos. “O impacto maior foi no volume de produção. Tivemos anos anteriores bons, mas houve impacto da condição climática, que deve se estender para o próximo ano”, estima o pesquisador Renato Ribeiro, do Cepea/Esalq.

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