Anos após a dissolução dos Beatles, o cantor Paul McCartney abriu o jogo sobre um dos momentos mais turbulentos de sua convivência com John Lennon, revelando detalhes inéditos sobre as críticas pesadas que recebeu na década de 1970.
As críticas a ‘Ram’ e as indiretas na música
Durante um evento em Los Angeles, o artista britânico relembrou a forte repercussão negativa em torno do disco Ram, lançado em 1971 em parceria com sua esposa na época, Linda McCartney. Naquela ocasião, Lennon reprovou publicamente o projeto e taxou o material como “horrível”, além de enxergar nas composições mensagens cifradas direcionadas a ele e a Yoko Ono.
Embora inicialmente não compreendessena totalidade a fúria do colega de banda, o baixista admitiu mais tarde que algumas faixas realmente carregavam cutucadas. Um exemplo nítido é a canção “Too Many People”, abertura do disco que trazia referências evidentes ao casal, algo que o próprio autor confirmou ao admitir a existência de uma “pequena indireta”.
A complexidade da amizade e o passado de Lennon
Apesar do atrito e das rusgas daquela fase, Paul McCartney enfatizou que o afeto pelo parceiro musical jamais deixou de existir, resumindo o sentimento na frase: “Eu amava o John e o amo até hoje e sempre amarei”.
Contudo, o músico evitou retratar o ex-colega de forma idealizada, ponderando que o autor de “Imagine” apresentava momentos de extrema dificuldade de convivência. Ao analisar a personalidade do amigo, o cantor declarou: “Sempre achei o John muito legal e ainda acho, mas ele podia ser um completo idiota em algumas coisas”.
O artista também atribuiu parte do comportamento espinhoso de Lennon aos traumas acumulados em sua juventude, citando a ausência paterna e a trágica morte de sua mãe, Julia Lennon, atropelada em 1958. Para o ex-Beatle, tais marcas do passado ajudam a decifrar as angústias que o parceiro carregava consigo.








