na véspera da votação do primeiro turno, o mercado de derivativos financeiro demonstra que o custo da incerteza varia drasticamente entre o bova11, a petrobras (petr4) e o banco do brasil (bbas3). analisando os contratos com vencimento em 16 de outubro e preços próximos aos ativos, a volatilidade implícita (iv) registrava patamares de aproximadamente 39% no bova11, 47% na petrobras e 66% no banco do brasil na última sexta-feira (2).
entenda o papel da volatilidade implícita
essa métrica reflete o nível de oscilação embutido nos contratos, encarecendo o prêmio da opção conforme o índice sobe, sem indicar obrigatoriamente uma tendência de alta ou de queda para as ações. enquanto o primeiro turno ocorre neste domingo (4), um eventual segundo turno já tem data marcada para 25 de outubro.
comparativo de risco entre os ativos
para estabelecer um parâmetro limpo, o levantamento focou em contratos com o mesmo vencimento e strikes equivalentes. o bova11 destacou-se com o menor índice, enquanto a petrobras ocupou uma posição intermediária e o banco do brasil disparou acima de ambos, refletindo tanto o cenário político quanto fundamentos corporativos próprios.
para matheus medeiros, o madruga, analista da nomos, essa ordem já aparecia na quinta-feira e continuava nesta sexta: bova11 com volatilidade menor, petrobras no meio e bbas3 no patamar mais elevado.
direção indefinida e proteção dos investidores
os dados revelam que as opções de compra (calls) e de venda (puts) caminham lado a lado em termos de preços em todos os papéis analisados, sem apontar um lado predominante nas apostas do mercado financeiro.
é essa distinção que sidney lima, analista da ouro preto investimentos, destaca.
“existe um compasso de espera em relação à direção, mas não em relação ao risco. o risco já está sendo precificado”, afirma.
o peso da eleição na petrobras
comparando vencimentos anteriores e posteriores ao pleito, a petrobras evidencia o custo de superar o período eleitoral. contratos que expiravam em 2 de outubro marcavam iv de 29%, enquanto o vencimento de 9 de outubro subia para cerca de 47%.
lima faz uma ressalva: não é possível atribuir toda essa diferença à eleição, porque a opção de 9 de outubro também tem mais tempo até o vencimento.
“o mercado de opções não está dizendo claramente se espera alta ou queda depois da eleição. está dizendo que espera mais movimento e cobra mais caro de quem quiser atravessar esse período protegido”, afirma.
ritmo da bolsa na última sessão
o último pregão antes da votação ganhou tração durante a tarde, impulsionado por ajustes de proteções (hedge) e pela montagem de posições defensivas pelos investidores, elevando os principais ativos da bolsa brasileira antes do fechamento dos mercados.
o cenário pré-eleitoral consolida diferentes histórias para cada ativo, deixando claro que, embora a direção futura dos preços continue incerta, o custo da volatilidade já foi integralmente absorvido pelos investidores.








