A transição definitiva para o rock
Halsey não se vê mais alinhada aos padrões tradicionais da música pop, rótulo que consolidou há cerca de dez anos com sucessos como “Closer”, “Bad at Love” e “Without Me”. Sentindo-se deslocada das exigências de tapetes vermelhos e premiações, e pouco conectada com as estruturas corporativas, a artista encontrou sua verdadeira identidade artística no rock and roll. Essa nova fase é o coração de seu primeiro filme-concerto oficial, que coroa uma trajetória musical intensa e sem amarras comerciais.
Com 75 minutos de duração, a produção audiovisual foi gravada durante passagens por festivais europeus e estreou exatamente no quinto aniversário de seu quarto disco de estúdio. O repertório costura cinco álbuns de sua carreira, transformando faixas originalmente comerciais em versões encorpadas por guitarras pesadas e percussão estrondosa.
Estrutura teatral e narrativa visual
Diferente de seus trabalhos audiovisuais anteriores — como o filme sem diálogos lançado em 2021 —, o novo projeto aposta em uma abordagem altamente teatral dividida em quatro atos conceituais: The Mother, The Maiden, The Mage e They’re Raging at Me. A narrativa visual explora desde temas de maternidade e sobrevivência até reflexões profundas sobre mortalidade e legado.
“A garota na torre gritou por horas, depois plantou um jardim para colher flores para si mesma”, diz Halsey em uma narração no início do filme. “Mas veio o veneno do verão, que azedou a fruta. Seus dentes encontraram a polpa. Ela começou a devorar. Então, como se nunca tivesse partido, seu poder voltou. Delicioso e mais forte. Eles estão furiosos comigo.”
Momentos marcantes da setlist
O espetáculo começa com a eletrizante “Nightmare” e ganha momentos de alta voltagem quando a artista interrompe a execução de “Castle” para exigir ainda mais energia do público presente nos festivais. A imersão continua com passagens impactantes que remetem a contos de advertência, incorporando sucessos e faixas profundas de diferentes eras de sua discografia.
Conclusão da turnê e legado
Embora o filme tenha nascido da necessidade de registrar a energia única de apresentações em festivais — onde o público muitas vezes desconhecia o repertório —, a obra funciona como um manifesto de autonomia criativa. Entecada por uma estética feroz, a produção coroa o momento em que Halsey assume de vez o controle total de sua narrativa artística, provando que a torre serve como mirante para sua total liberdade.








