Novas análises periciais no Paraná trouxeram detalhes importantes sobre a morte do jovem Gustavo Henrique de Lara, de 27 anos, ocorrida após um tradicional ritual de aviação.
Vestimentas da vítima contêm substância corrosiva
Um exame de química forense realizado pela Polícia Científica detectou a presença de fenol nas roupas utilizadas pelo aviador no dia do incidente em Ponta Grossa. O material analisado pertencia às vestes que ele vestia durante a comemoração de seu primeiro voo solo.
O delegado Lucas Petry destacou a periculosidade do composto químico identificado nos tecidos.
“O fenol é uma substância química altamente corrosiva, presente na indústria em alguns produtos químicos. É tóxico e, em contato com a pele, pode causar queimaduras e é absorvido rapidamente pelo corpo, podendo provocar intoxicação e dificuldade para respirar”
Diferença entre amostras desafia investigadores
Embora o mesmo componente tenha sido localizado em uma garrafa apreendida durante as diligências, a perícia constatou que os materiais não são compatíveis. Diante dessa divergência, a corporação busca entender como o elemento químico interagiu com o corpo da vítima.
“Agora a investigação está concentrada em duas perguntas. De onde veio esse fenol e qual foi o papel dele exato na morte do Gustavo?”
A necropsia anterior já havia apontado que o óbito ocorreu devido a um edema nas vias aéreas causado por exposição química, além de registrar queimaduras severas pelo corpo do aviador.
Tradição de voo terminou em tragédia
O caso aconteceu no dia 16 de julho, logo após o piloto concluir sua primeira jornada solo, etapa marcante na carreira da aviação. O ritual conhecido como “banho de óleo” foi conduzido por um instrutor que também atuava como amigo de Gustavo.
Após receber o líquido, o rapaz apresentou falta de ar e convulsões, falecendo antes de receber atendimento médico definitivo. O responsável por derramar o produto foi preso inicialmente por homicídio culposo, pagou fiança de R$ 3 mil e responde em liberdade.
As autoridades policiais aguardam novos exames toxicológicos solicitados à Polícia Científica para definir se a tipificação penal será alterada.
“Se as provas indicarem outra situação ou a participação de outras pessoas, isso será reavaliado”
A Agência Nacional de Aviação Civil reforça que lubrificantes aeronáuticos jamais devem ter contato com a pele humana, conforme alertas de fabricantes, enquanto o centro de instrução onde ocorreu o fato declarou colaborar com as autoridades.








