A exploração espacial deu um passo importante com a ativação bem-sucedida do principal equipamento científico do telescópio espacial Nancy Grace Roman pela NASA, abrindo caminho para investigações profundas sobre exoplanetas e os enigmas da matéria e da energia escuras.
A potência da nova câmera espacial
O Wide Field Instrument (WFI) consiste em uma câmera infravermelha de 300 megapixels projetada para capturar, em um único clique, uma fração do cosmos maior do que a Lua cheia no céu, mantendo uma nitidez comparável à do Hubble.
Antes de entrar em funcionamento, o componente passou por dez dias de secagem e descontaminação a -65 °C antes que os engenheiros desligassem o aquecedor para atingir -143 °C, permitindo a ativação dos 18 detectores infravermelhos que possuem uma área sensível comparável à tela de um notebook.
“Depois de anos de esforço para construir e testar o instrumento em solo, agora temos a confirmação de que ele está operacional no espaço. Este é um grande marco para a equipe do Goddard, nossas equipes industriais da BAE Systems e da Teledyne e nossos centros científicos”, afirmou Josh Schlieder, cientista responsável pelo Wide Field Instrument no Goddard Space Flight Center, da NASA. “Há muito a fazer, mas estamos a caminho de uma ciência revolucionária”, acrescentou.
Primeiros testes e calibração no vácuo
Logo após a ativação, a equipe acionou o sistema de calibração e a roda de elementos, mecanismo que utiliza filtros e prismas para separar comprimentos de onda da luz estelar, sendo testado pela primeira vez na ausência de gravidade. Os especialistas também checaram o sistema de foco e permitiram que o resfriamento continuasse até alcançar a marca operacional de -183 °C.
Durante essa fase de avaliação preliminar, o WFI capturou seus primeiros fótons de luz estelar enquanto os detectores ainda estavam na posição de lançamento e distantes do foco ideal. O resultado foi um campo estelar com astros completamente desfocados, mas que serviu para comprovar que a luz estelar já atinge o sistema com sucesso.
Testes com o coronógrafo para observar exoplanetas
Paralelamente, o Coronagraph Instrument passou por avaliações para verificar sua capacidade de bloquear o brilho estelar intenso e viabilizar a visualização direta de planetas distantes. A tecnologia utiliza máscaras e espelhos deformáveis para examinar discos de poeira e mundos ao redor de estrelas vizinhas.
Essas atividades integram uma longa jornada de calibrações que durará meses, período em que o observatório continuará sua viagem rumo ao seu destino final, o segundo ponto de Lagrange, conhecido como L2.








