Investigados pela morte de Alexandre Rodrigues Ramos deixam a prisão
Quatro homens com idades entre 22 e 24 anos, que estavam presos preventivamente pela morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, foram postos em liberdade após passarem 24 dias detidos no norte do estado. A Justiça determinou que eles respondam ao processo fora da cadeia, sendo que três deles deverão utilizar tornozeleira eletrônica. O episódio ocorreu em 14 de agosto, em Londrina.
Dinâmica da queda e investigações da polícia
As autoridades policiais esclareceram que o rapaz despencou da janela do 14º andar no momento em que tentava fugir para o apartamento inferior pela sacada. O inquérito policial confirmou que a queda foi involuntária, descartando a hipótese de que o corpo tenha sido arremessado por terceiros, versão corroborada por um morador do andar de baixo.
“[A vítima] estava amarrada, mas conseguiu se desvencilhar das amarras com o uso de um objeto cortante e cortar parte das telas […] Segundo consta nas investigações, também havia ameaças de que ela seria levada para outro local para receber um ‘corretivo’”, explicou a promotora Márcia Regina dos Anjos.
O órgão ministerial também destacou que a vítima foi submetida a substâncias medicamentosas que alteraram seu estado de consciência, e aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar o real estado de saúde do jovem antes do incidente fatal.
Acusações de tortura e cárcere privado
Segundo o delegado Roberto Fernandes, Alexandre sofreu agressões físicas e psicológicas durante cerca de três horas. A motivação inicial seria a suspeita de que ele teria furtado uma câmera fotográfica avaliada em doze mil reais, equipamento que acabou não sendo localizado pelas autoridades.
“Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos. A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar. O laudo comprovou essa dinâmica”, detalhou Fernandes.
Manipulação da cena do crime e denúncia
Após o falecimento, os suspeitos tentaram alterar a cena do local para simular um autoextermínio, escondendo vestígios, apagando registros fotográficos do cárcere privado e descartando os documentos pessoais da vítima no lixo. A farsa foi descoberta porque a chave da porta do cômodo onde o jovem estava trancado foi encontrada do lado de fora.
O Ministério Público apresentou denúncia formal contra o quarteto pelos crimes de tortura qualificada com resultado morte, cárcere privado e fraude processual, além de solicitar o pagamento de uma indenização de quarenta mil reais aos familiares do falecido.
“Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo… Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro”, detalha Chibani.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial emitida à imprensa, os advogados responsáveis pela defesa dos investigados se manifestaram sobre o caso.
“A defesa dos denunciados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, informa que a denúncia oferecida pelo Ministério Público apresenta inconsistências e excesso de acusação. Esclarece que todos os fatos serão devidamente esclarecidos durante a instrução processual.”, informaram.








