Uma fotografia capturada pela sonda Mars Express revelou a região de Thyles Rupes, situada no polo sul de Marte, exibindo surpreendentes tons de rosa, roxo e vermelho. Essa coloração incomum é gerada pela interação entre a poeira e a geada presentes na superfície do planeta.
O registro visual e a câmera HRSC O clique foi realizado pela High-Resolution Stereo Camera (HRSC), equipamento a bordo da espaçonave pertencente à Agência Espacial Europeia (ESA). O cenário em destaque abrange uma geleira e uma imponente estrutura rochosa que ultrapassa 1 quilômetro de altura.
A ciência por trás das cores marcianas Embora Marte seja mundialmente conhecido por seu visual predominantemente avermelhado devido aos óxidos de ferro, a localidade de Thyles Rupes apresenta uma variação cromática diferenciada pela mistura de elementos. Minerais como olivina e piroxênio, abundantes no material escuro da zona e também comuns no manto da Terra, ajudam a compor esse mosaico. A olivina é formada por magnésio, ferro e silicato, enquanto os piroxênios são um grupo de minerais de silicato compostos principalmente por silício e oxigênio. Já as tonalidades azuladas mais claras correspondem ao dióxido de carbono congelado, que persiste mesmo durante a primavera marciana, época em que o registro foi efetuado.
Geografia e dinâmica dos penhascos Estendendo-se por centenas de quilômetros, Thyles Rupes apresenta paredões íngremes e feições geológicas complexas. O termo Rupes vem do latim e significa “penhasco”, enquanto Thyles remete a uma terra mítica antiga. A ação dos ventos na região impede o desenho de dunas tradicionais, originando estruturas como as cristas barchanoides, que possuem formato de arco com pontas direcionadas para o vento. Além disso, a tonalidade arroxeada não é fixa, variando ao longo do dia em função da iluminação matinal, da quantidade de poeira suspensa e do comportamento da geada no solo.
Origem geológica de Thyles Rupes A formação dos gigantescos penhascos ocorreu de maneira parecida com algumas elevações terrestres por meio do levantamento da crosta, embora Marte não conte com uma tectonica de placas semelhante à da Terra. O planeta opera sob o conceito de tampa estagnada, onde o resfriamento interno provocou a contração da crosta e empurrou certas porções para cima. Missões orbitais contínuas, como as da Mars Express e da sonda Mars Reconnaissance Orbiter da NASA, seguem mapeando e desvendando os segredos históricos do terreno marciano.








