Um terremoto de magnitude 8,8, ocorrido em 30 de julho de 2025 na costa da península de Kamchatka, Rússia, pode ter sido o fator que despertou o vulcão Krasheninnikov, que não entrava em erupção há quase 500 anos. Essa teoria foi investigada por uma equipe de pesquisadores liderada pelo vulcanologista James Hickey, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.
Atividade vulcânica surpreendente
Dias após o megaterremoto, o vulcão começou a expelir uma grande coluna de material, gerando interesse científico. Um preprint publicado no EarthArXiv indica que a atividade sísmica não apenas quebrou o reservatório de magma, mas também desencadeou processos que aumentaram a pressão no sistema subterrâneo.
Krasheninnikov sem sinais de alerta
A relação entre terremotos e erupções vulcânicas é complexa. A península de Kamchatka está situada em uma zona de subducção onde a Placa do Pacífico se insere sob a microplaca de Okhotsk, abrigando cerca de 160 vulcões, dos quais 29 são considerados ativos. Antes do evento sísmico, o Krasheninnikov não apresentava sinais de atividade iminente. Observações via radar de satélite durante nove anos mostraram que, ao invés de inchar, a superfície do vulcão afundava em média 4 milímetros por ano.
Além disso, não foram detectadas emissões de dióxido de enxofre provenientes do Krasheninnikov antes do terremoto, embora outros vulcões da região apresentassem tal atividade.
Consequências do terremoto
Cerca de dois dias após o megaterremoto, a área ao redor do vulcão registrou 12 tremores de magnitude aproximada de 4 em um intervalo de cinco horas. Análises por satélite sugeriram que magma estava rompendo a crosta em uma fratura quase vertical.
Os pesquisadores estimaram que a intrusão de um dique de magma envolveu aproximadamente 32 milhões de metros cúbicos de material, oriundo de um reservatório a cerca de 6 quilômetros de profundidade. No entanto, as mudanças permanentes de tensão provocadas pelo terremoto foram consideradas pequenas, variando entre 0,01 e 0,05 megapascals.
A pressão acumulada ao longo dos séculos
Segundo a modelagem dos cientistas, o magma no reservatório apresentava um alto conteúdo de gases, que ao longo dos séculos pode ter formado bolhas. O tremor prolongado resultante do terremoto pode ter facilitado a difusão de mais gás para essas bolhas, aumentando sua pressão.
Esse cenário sugere que, embora o vulcão parecesse inativo, ele apresentava características que o tornavam vulnerável a perturbações sísmicas. A hipótese é que o terremoto não causou uma ruptura imediata, mas que a atividade sísmica prolongada favoreceu a desestabilização do reservatório, culminando na erupção do Krasheninnikov.
Em conclusão, a pesquisa destaca a complexa interação entre atividade sísmica e vulcânica, sugerindo que mesmo vulcões considerados inativos podem estar em um “estado crítico oculto”, prontos para serem ativados por eventos sísmicos.








