Sal de cozinha pode ter intensificado era glacial da Terra Estudo revela que cristais de sal contribuíram para o resfriamento da Terra há 700 milhões de anos. Entenda como isso ocorreu. Recentemente, um estudo realizado por cientistas da Universidade de Tromsø, na Noruega, trouxe à tona uma intrigante hipótese: o sal de cozinha, comum em nossas mesas, pode ter desempenhado um papel crucial no resfriamento extremo da Terra, fenômeno conhecido como Terra Bola de Neve, há cerca de 700 milhões de anos.
O papel do sal no resfriamento terrestre
Os pesquisadores analisaram como os cristais de sal, que se acumularam no gelo marinho, podem ter potencializado o processo de congelamento do planeta. À medida que o oceano começava a congelar, os sais dissolvidos na água não se integravam completamente ao gelo, permanecendo concentrados em um líquido aprisionado na estrutura do gelo. Com a diminuição das temperaturas, esses sais formaram cristais que aumentaram a reflexividade da superfície congelada.
Reflexividade e suas consequências
A habilidade dos cristais de sal de refletir a luz solar é notável. Estudos anteriores indicam que uma camada de sal sobre o gelo marinho poderia refletir até 93% da luz solar, em comparação com a neve fresca, que reflete cerca de 83%, e o gelo marinho descoberto, que chega a 67%. Essa alta taxa de reflexão contribuiu para que menos energia solar fosse absorvida, intensificando o resfriamento do planeta.
Como a temperatura afetou a formação de cristais
A formação de cristais de sal era mais prevalente em temperaturas extremamente frias. Alguns sais começavam a precipitar em torno de -8 °C, enquanto outros formavam cristais a temperaturas próximas a -23 °C. A superfície coberta por sal, com sua capacidade reflexiva, exigiria uma quantidade muito maior de CO₂ atmosférico para iniciar o derretimento, dificultando ainda mais a transição para climas mais quentes.
O feedback do albedo do sal
Os pesquisadores introduzem o conceito de “feedback do albedo do sal”, que se assemelha ao conhecido feedback gelo-albedo. Neste mecanismo, a expansão do gelo aumenta a quantidade de luz refletida pela Terra, intensificando o resfriamento. Isso resulta em um cenário onde a concentração de CO₂ necessária para provocar o derretimento seria significativamente maior do que em um ambiente sem sal.
Questionamentos e novas direções na pesquisa
O estudo, publicado na revista Climate of the Past, não afirma que o sal tenha sido o responsável pelo início da era glacial, mas sugere que os depósitos de sal poderiam ter amplificado o resfriamento já em curso. Modelos climáticos desenvolvidos pelos pesquisadores indicaram dois estados estáveis para a Terra Bola de Neve: um com depósitos de sal e outro sem. O primeiro cenário era não apenas mais frio, mas também mais resistente ao descongelamento. Embora os resultados sejam promissores, ainda existem incertezas sobre o impacto real desse fenômeno no clima da época. O modelo atual não leva em conta fatores como a movimentação do gelo marinho, a presença de nuvens que poderiam bloquear a luz solar, ou a redistribuição dos cristais de sal pela poeira e ventos.
Perspectivas para novas investigações
Este estudo é um passo importante, mas não encerra a investigação sobre como a Terra experimentou períodos de congelamento extremo. Os pesquisadores sugerem que futuras análises climáticas devem considerar variáveis como a dinâmica do gelo, a influência das nuvens e dos ventos. Somente assim será possível determinar se o sal teve um papel significativo na transformação da Terra em uma verdadeira “bola de neve”.








