A liquidação do banco digital Ueno pelo Banco Central do Paraguai (BCP) nesta semana colocou em evidência a fragilidade de instituições financeiras que movimentam bilhões. O banco, que administrava aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em recursos públicos e atendia 60% da população adulta do país, sofreu intervenção após o órgão regulador identificar irregularidades em empréstimos e insuficiência de capital.
Como o Ueno Bank quebrou por falta de capital A instituição acumulou um rombo financeiro expressivo ao mascarar empréstimos inadequados e calotes de empresas pertencentes aos próprios controladores. Com recursos presos em operações de fachada e sem reservas reais para atender aos pedidos de saque, o índice de solvência desabou para menos da metade do mínimo exigido por lei, resultando no congelamento de aplicativos, cartões e saldos de cerca de três milhões de clientes.
Impacto social e perda de confiança Estudos indicam que o Ueno havia inserido mais de um milhão de paraguaios no setor bancário pela primeira vez, mas a interrupção repentina gerou forte retração na confiança pública.
“Quando essa porta fecha de um dia para o outro, com aplicativo e cartões bloqueados, muita gente conclui que é melhor voltar para o dinheiro vivo”, diz Lea Vidigal, doutora em Direito Econômico pela USP, em entrevista ao Olhar Digital.
“O retrocesso aparece no comportamento das pessoas”, acrescenta a advogada, que também é sócia do Lea Vidigal Advocacia.
Camadas de proteção e o papel do FGC Especialistas ressaltam que o tamanho de uma instituição não garante solidez. Para mitigar riscos, é fundamental compreender as camadas de proteção disponíveis aos correntistas.
“O que sustenta uma instituição é capital, liquidez, governança e um modelo de negócio sustentável”, afirma Abud, que também é advogado e atua no escritório ABE Advogados.
Para assegurar o patrimônio, a orientação é verificar quais instituições possuem cobertura de salvaguardas específicas.
“Nos bancos associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estão cobertos conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA, até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado, com teto global de R$ 1 malhão a cada quatro anos”, diz a especialista.
A advogada continua: “O saldo em conta de pagamento não tem FGC. A proteção dele é outra. Por lei, esses recursos formam um patrimônio separado e não entram na massa da instituição se ela quebrar.”
Segurança digital e cidadania financeira Além da saúde financeira dos bancos, especialistas em segurança da informação destacam a necessidade de cuidados com a cibersegurança e o monitoramento de contas. O avanço da tecnologia exige que os correntistas adotem práticas preventivas rigorosas.
“A proteção precisa combinar escolhas financeiras conscientes com cuidados digitais”, recomenda a especialista.
Por fim, analistas reforçam que crises como as do Ueno e do banco Master decorrem de problemas antigos de governança e regulação, e não da tecnologia em si, reforçando a importância de separar inovação digital de fragilidades estruturais das instituições.








