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Turismo de observaçãoimpulsiona economia e protege baleias-jubarte no Brasil

Recuperação da espécie no litoral da Bahia transforma cidades pesqueiras e consolida o ecoturismo marinho sustentável.

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Turismo de observação contribui para preservar baleias-jubarte

A trajetória de Paulo Salomão se confunde com a história da conservação marinha no litoral sul da Bahia. Na década de 1980, quando começou a navegar com o pai nas proximidades do Arquipélago dos Abrolhos, em Caravelas, o jovem capitão sofria com fortes enjoos e jamais imaginava que sua subsistência viria dos oceanos. “Só que eu mareava muito, muito, muito. Eu ficava jogado no chão do convés da embarcação e falava comigo mesmo que eu nunca ia conseguir trabalhar no mar. Mas eu gostava tanto, que fui insistindo e acabei acostumando”, ele lembra. Com a criação do Parque Marinho dos Abrolhos em 1983 e a proibição da pesca na área, Salomão adaptou suas atividades para o transporte de turistas e mergulhadores, fundando um negócio que hoje conta com quatro embarcações e dezenas de funcionários, impulsionado principalmente pela chegada das baleias-jubarte nos meses de inverno.

Crescimento econômico impulsionado pelas baleias

Considerado um dos principais berçários da espécie no Atlântico Sul, o arquipélago recebe anualmente milhares de animais que percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica para acasalar e dar à luz nas águas quentes brasileiras. Esse fluxo migratório mudou a dinâmica financeira da região, que antes dependia exclusivamente do verão. “Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto. Hoje só agosto, que é o pico, ganha dos três meses de verão. Todo mundo vem pra ver as baleias”, destaca Salomão. Para quem já atuava no setor de serviços, a presença dos cetáceos duplicou os ganhos anuais e garantiu circulação de capital durante a baixa temporada.

Esforço histórico de preservação ambiental

O sucesso do turismo ecológico está diretamente ligado à impressionante recuperação da população de baleias, que saltou de menos de 2 mil indivíduos no início dos anos 1990 para aproximadamente 35 mil, conforme levantamento recente do Instituto Baleia Jubarte. Esse avanço foi possibilitado pela proibição da caça em 1987, pela criação da unidade de conservação em Abrolhos e pela atuação contínua de entidades ambientalistas com apoio financeiro de empresas como a Petrobras. Segundo Eduardo Camargo, diretor executivo do instituto, a atividade turística desempenha um papel fundamental na proteção dos animais ao “agrega valor econômico à baleia viva”, promovendo uma convivência harmoniosa entre o desenvolvimento regional e a conservação da fauna.

Regras rígidas e fiscalização do ecoturismo

Para garantir que a atividade náutica ocorra sem estresse para os animais, operadores e turistas devem obedecer a normas rigorosas estabelecidas pela Marinha e pelo Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria recente determina que as embarcações mantenham uma distância mínima de 100 metros das jubartes, limitando o tempo de observação a sessenta minutos — ou trinta minutos no caso de fêmeas acompanhadas de filhotes —, com restrição máxima de dois barcos simultaneamente na área. Além da fiscalização estatal, entidades locais oferecem capacitações e emitem o selo de responsabilidade “Amigo da Baleia” para incentivar boas práticas entre os profissionais do setor.

Impacto transformador nos visitantes

Além dos benefícios econômicos e ecológicos, a experiência de avistar os cetáceos em seu habitat natural gera uma mudança profunda na conscientização dos turistas. Relatos de viajantes de diversos estados comprovam o impacto emocional do passeio, que desperta maior engajamento em pautas ambientais cotidianas. A iniciativa também conta com centros de visitação em pontos estratégicos do litoral brasileiro e investimentos em pesquisas científicas que comprovam a importância sistêmica das baleias. Estudos internacionais realizados em parceria com o instituto estimam que a presença desses animais no país contribui com mais de US$ 82 bilhões em serviços ecossistêmicos, incluindo a fertilização natural dos oceanos e a captura de carbono.

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