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Paranaguá recebe a 17ª Festa Nacional do Fandango Caiçara

Evento cultural reúne mais de 25 grupos tradicionais de Santa Catarina ao Rio de Janeiro com foco na preservação das raízes caiçaras.

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17ª Festa Nacional do Fandango Caiçara reúne mais de 25 grupos em Paranaguá

A cidade de Paranaguá se prepara para sediar, a partir desta sexta-feira, dia 30, a 17ª edição da Festa Nacional do Fandango Caiçara. O festival congrega mais de 25 caravanas artísticas vindas de diferentes municípios do território tradicional, estendendo-se desde a Baía da Babitonga, em Santa Catarina, até a cidade fluminense de Paraty. A agenda de atividades valoriza a música, a dança, os instrumentos artesanais e o intercâmbio de saberes ancestrais entre gerações, destacando a relevância da salvaguarda dessa expressão identitária brasileira.

Palco principal e abertura oficial A Praça de Eventos funcionará como o ponto central para os tradicionais bailes e exibições artísticas, acolhendo mestres, mestras e coletivos culturais. O pontapé inicial ocorre às 14h de sexta-feira, com a performance da Orquestra Rabecônica do Brasil, composta por instrumentistas originários da Ilha dos Valadares.

Debates sobre território e identidade Anteriormente, na manhã de quinta-feira, dia 29, autoridades locais, líderes comunitários e representantes institucionais participaram de um painel de diálogos no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O simpósio debateu os desafios territoriais das populações litorâneas e as táticas voltadas à proteção de seus patrimônios imateriais.

Um dos responsáveis pela produção do evento, Leandro Diegues destacou que a festa representa o encontro de comunidades que mantêm viva a tradição do fandango ao longo de todo o ano. “Essa festa iniciou quase que juntamente com a Associação Mandicuera. Esta é a 17.ª edição e mobiliza os grupos do território caiçara, que compreende desde a Baía da Babitonga, em Santa Catarina, até Paraty, no Rio de Janeiro. Reúne grupos de fandango caiçara, mestres e mestras de todo esse território”, explicou.

Conforme ressaltou a organização, a dinâmica de preservação ocorre de forma contínua durante os doze meses do ano. A grade desta edição contempla tanto veteranos quanto coletivos estreantes, a exemplo de representantes do município de Pontal do Paraná que iniciam agora suas jornadas de salvaguarda.

“Este ano estamos trazendo algumas novidades. Teremos grupos que estão iniciando um trabalho de salvaguarda. Pela primeira vez, talvez, vamos trazer um grupo de Pontal do Paraná, que também está começando esse trabalho”, afirmou o produtor.

Complementando a visão sobre a festividade, Diegues pontuou: “A gente vem há anos trabalhando nessa salvaguarda do Fandango Caiçara. Esse evento é para celebrar todas as ações realizadas no território. É o momento de o povo se encontrar, se divertir e fortalecer essa bandeira que a gente ergue, que é a da cultura caiçara”, finalizou.

A importância da preservação territorial O mestre Aorélio Domingues, representante da Associação de Cultura Popular Mandicuera, localizada na Ilha dos Valadares, ressaltou que a roda de conversa faz parte de uma tradição de diálogo construída ao longo das edições da festa.

“Esse evento abre um ciclo de discussões, de diálogos, que a gente sempre teve dentro das festas do Fandango. São momentos de trazer o universo caiçara, seus conflitos, suas problemáticas e soluções de salvaguarda, mas também, principalmente, de território. Essa mesa de abertura é principalmente sobre o território, que é onde começa a cultura. Sem o território preservado, sem o território pertencente à própria comunidade, a gente não tem cultura”, destacou.

O mestre complementou que a manifestação artística permeia o cotidiano e a subsistência por meio do manejo sustentável e da confecção de artefatos.

“Não existe fandango só no palco, existe fandango na vida das pessoas. Existe fandango tirando cacheta no mato, podendo fazer o instrumento e repassando essa construção para jovens, adolescentes e crianças aprenderem a fazer instrumentos”, explicou.

Por fim, Aorélio enfatizou o elo indissociável entre a prática cultural e a garantia de direitos espaciais: “Para você tirar a cacheta, tem que ter o território reconhecido e a prática reconhecida. Esses ciclos de diálogo revelam que o fandango não é só a dança que vai para o palco. É um ritmo musical brasileiro que pertence à diversidade brasileira, mas, para existir essa diversidade cultural, a cultura precisa do território. Sem o território, não existe o coletivo que é a cultura”, afirmou.

Diversidade rítmica e nova localização A expectativa de público é alta para conferir a pluralidade de estilos proporcionada pelas mais de 25 delegações convidadas.

“São mais de 25 grupos de fandango que vêm de todas as partes do território, desde Paraty, no Rio de Janeiro, até a Baía da Babitonga, em Santa Catarina. Todas essas cidades vão trazer uma infinidade de formas de tocar e dançar fandango, além das experiências que cada grupo tem sobre a salvaguarda”, destacou.

Devido à expansão do festival, o evento deixou a Praça Cyro Abalém, na Ilha dos Valadares, migrando para a Praça de Eventos a fim de garantir maior comodidade aos visitantes e segurança viária na região da ponte.

“A gente sempre teve o sonho de trazer a festa para a praça aqui, desde que o evento se expandisse. Ele se expandiu e hoje não cabe mais na Praça Cyro Abalém, na Ilha dos Valadares, até porque, se fosse realizado ali, poderia comprometer toda a cabeceira da ponte”, explicou Aorélio.

“A gente traz para esse cantinho da Praça 29 de Julho para ficar mais cômodo e aconchegante. Temos um cantinho da praça que é especificamente do Fandango, um espaço pelo qual temos muito amor e que queremos caracterizar como o lugar da festa. É ali que o caiçara desce da canoa e vem para a festa”, afirmou.

Atrações e encerramentos A cerimônia de abertura desta sexta-feira conta com a atuação da Orquestra Rabecônica do Brasil, criada em 2011 e integrada por vinte instrumentistas que executam peças com rabecas, rabiolas e rabecões confeccionados de maneira artesanal. A programação completa engloba dezenas de coletivos artísticos consagrados e segue movimentando o litoral paranaense em defesa da memória e dos modos de vida tradicionais.

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