O setor agrícola do Paraná iniciou o planejamento do ciclo 2026/2027 com perspectivas animadoras para as lavouras de soja. Projeções divulgadas pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), indicam uma expansão de 4% na produtividade em relação ao período passado.
Fatores climáticos e o impacto do El Niño
Apesar do otimismo inicial, especialistas alertam que os números ainda são preliminares e estão sujeitos a revisões. A principal variável continua sendo o comportamento do clima, visto que os reflexos do El Niño devem persistir no território paranaense até o mês de fevereiro.
Desempenho da primeira safra de milho
No caso do milho primeira safra, a expectativa oficial aponta para uma colheita total de 4,08 milhões de toneladas. O volume representa um recuo de 2% frente aos dados da temporada anterior, quando o estado registrou 4,1 milhões de toneladas colhidas.
Atualmente, o plantio atingiu 94% da área estimada em pouco mais de 372 mil hectares. O panorama das plantações é majoritário de boas condições em 78% dos campos, enquanto 20% apresentam situação mediana e apenas 2% foram classificadas como ruins.
Perdas expressivas nas culturas de inverno
Diferentemente das lavouras de verão, os cultivos de inverno sofreram danos severos provocados pelas intempéries meteorológicas recentes no estado.
A coordenadora da Divisão de Estatísticas do Departamento de Economia Rural (Deral), Larissa Nahirny, aponta que esses efeitos climáticos impactaram mais as culturas de inverno no Paraná.
Como consequência, a colheita geral de grãos de inverno registrou uma baixa de 28% na comparação com 2025, fechando a estimativa em 2,84 milhões de toneladas frente às 3,9 milhões do ciclo prévio. O excesso de precipitações pluviométricas registrado em praticamente todo o Paraná prejudicou diretamente tanto o desenvolvimento quanto a fase de colheita.
Balanço do trigo e alta da canola
O trigo figurou entre os itens mais penalizados, com tombo de 34% no volume produzido, que passou de 2,88 milhões de toneladas para 1,9 milhão de toneladas. O cenário refletiu uma retração de 12% na extensão plantada e na produtividade média, que despencou de 54 para 44 sacas por hectare.
Em contrapartida, a canola contrariou a tendência negativa e apresentou resultados expressivos, duplicando a colheita paranaense de 5,2 mil toneladas em 2025 para 11,3 mil toneladas em 2026.








