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Retinopatia diabética atinge um terço dos brasileiros e exige atenção

Campanha nacional alerta para a importância do diagnóstico precoce e exames oftalmulares regulares para evitar a perda da visão.

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Retinopatia: doença ocular afeta um em cada três diabéticos

Uma parcela significativa da população que convive com o diabetes no país enfrenta o risco de desenvolver problemas sérios na visão ao longo da vida, conforme apontam levantamentos recentes do setor oftalmológico.

O impacto da doença na saúde pública

O problema ocorre quando taxas elevadas de açúcar no sangue danificam, de forma progressiva, os capilares da retina. A presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Maria Auxiliadora Frazão, destacou que as alterações podem evoluir de forma silenciosa, sem provocar sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico da doença. “Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho.”

A mesma especialista reforçou a necessidade de mobilização nacional: “Todos temos que ter o comprometimento e a responsabilidade social de divulgar informações. É um problema grave de saúde pública e que tem altíssimo impacto no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], nas políticas públicas e nas políticas econômicas.”

Fatores de risco e evolução

A incidência do problema varia entre 24% e 39% dos diagnosticados com a condição glicêmica no território nacional. O risco se amplifica com o passar dos anos, atingindo expressiva maioria dos pacientes após duas décadas de convivência com a enfermidade. No entanto, o diagnóstico precoce reduz drasticamente as chances de perda total da visão para patamares inferiores a 5%.

Métodos de prevenção e exames

A principal ferramenta de detecção é a fundoscopia, amplamente conhecida como o exame de fundo de olho. O procedimento possibilita a visualização detalhada das estruturas internas e deve ser realizado periodicamente, independentemente de manifestações sintomáticas iniciais.

“Ausência de sintomas não quer dizer que já não tenhamos alterações instaladas. A única forma de prevenir isso é acesso ao exame oftalmológico”, alertou a presidente do CBO.

Para quem já recebeu o diagnóstico ou apresenta quadros variados, a frequência de avaliação muda. “Para quem não tem retinopatia ou apresenta a forma leve, o acompanhamento costuma ser anual. Nos casos moderados ou graves, as revisões precisam ser mais frequentes”, reforçou o CBO.

Gestantes também exigem atenção redobrada, necessitando de acompanhamento trimestral, embora casos específicos de diabetes gestacional costumem ser isentos dessa triagem continuada.

Hábitos de vida e atendimento pelo SUS

Manter uma rotina saudável fora dos consultórios faz toda a diferença. Adotar uma dieta rica em fibras, reduzir o sal e o açúcar, praticar atividades físicas, abolir o cigarro e controlar a pressão arterial são medidas indispensáveis para retardar o avanço do quadro.

No âmbito da saúde pública, o fluxo de atendimento começa nas unidades básicas ou estratégias de saúde da família, que realizam os encaminhamentos necessários. A meta contínua é a integração entre diferentes especialidades médicas.

“O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados, para que possamos acompanhá-los por meio do médico, do endocrinologista e também do oftalmologista”, concluiu Maria Auxiliadora.

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