A ansiedade também pode afetar crianças e adolescentes e, em alguns casos, comprometer atividades do dia a dia, como frequentar a escola, brincar e interagir com outras pessoas. Embora seja uma reação natural diante de situações novas ou desafiadoras, é importante observar quando o medo e a preocupação se tornam excessivos e persistentes.
Os transtornos de ansiedade estão entre os problemas psiquiátricos mais comuns na infância e na adolescência. Estimativas apontam que entre 10% e 15% das pessoas nessa faixa etária apresentam algum tipo de transtorno, com diferentes níveis de intensidade.
Sentir ansiedade antes de uma viagem, festa ou apresentação escolar é considerado normal. A preocupação merece atenção quando é desproporcional à situação, provoca sofrimento e faz com que a criança evite atividades ou situações cotidianas.
Tipos de ansiedade e sinais de alerta
Existem diferentes transtornos que podem surgir durante a infância e a adolescência. Entre eles estão a ansiedade de separação, caracterizada pelo medo excessivo de ficar longe dos pais ou responsáveis; a ansiedade social, relacionada ao medo de interações e situações em que a criança se sente observada; e o mutismo seletivo, quando ela deixa de falar em determinados ambientes ou com pessoas fora do convívio familiar.
Também existem o transtorno de ansiedade generalizada, marcado por preocupações frequentes e exageradas, as fobias específicas, relacionadas a objetos ou situações, o transtorno do pânico e a agorafobia.
Os sinais variam conforme a idade e o tipo de transtorno. Algumas crianças apresentam medos e preocupações constantes, dificuldade para relaxar, problemas de concentração e alterações no sono. Outras passam a evitar apresentações na escola, deixam de fazer perguntas em sala de aula ou se afastam de situações sociais.
Sintomas físicos também podem aparecer
A ansiedade infantil não se manifesta apenas por meio de preocupações. Durante crises, a criança pode apresentar taquicardia, suor excessivo, tremores nas mãos e nos pés, dores de estômago, vômitos, falta de ar, tontura e dor de cabeça.
A psicóloga infantil Fernanda Bittencourt orienta que o primeiro passo é procurar um pediatra para investigar possíveis causas físicas. Caso elas sejam descartadas, a criança pode ser encaminhada para avaliação psicológica.
Durante uma crise, especialistas recomendam que os responsáveis acolham a criança, sem minimizar o que ela está sentindo. Oferecer apoio, conversar com tranquilidade, olhar nos olhos e respirar junto com ela são atitudes que podem ajudar.
Família também tem papel importante
O histórico familiar pode influenciar o desenvolvimento dos transtornos de ansiedade. Crianças com pais diagnosticados com algum transtorno ansioso têm maior probabilidade de apresentar o problema.
Por isso, além de observar o comportamento dos filhos, os responsáveis também devem prestar atenção à própria saúde emocional. O ambiente familiar e os exemplos dos adultos podem influenciar a maneira como a criança aprende a lidar com as emoções.
A criação de uma rotina também pode contribuir para a sensação de segurança. Horários e atividades previsíveis ajudam na organização e na autonomia, mas é importante equilibrar os compromissos com momentos de lazer e considerar a participação da criança na construção dessa rotina.
Tratamento e identificação precoce
O tratamento pode envolver psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e, em alguns casos, medicamentos prescritos por profissionais especializados. A escolha depende da avaliação e da gravidade dos sintomas.
A participação da família é fundamental durante o acompanhamento. Pais e responsáveis podem ajudar os profissionais a identificar situações que desencadeiam a ansiedade, a frequência das crises e os impactos na rotina da criança. A escola também pode colaborar nesse processo.
Sem tratamento, a ansiedade pode levar ao afastamento de atividades, dificuldades escolares e problemas de interação social. Em alguns casos, também aumenta o risco de outros transtornos, como a depressão.
A identificação precoce permite iniciar o acompanhamento e reduzir os impactos da ansiedade no desenvolvimento e na qualidade de vida da criança.







