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Ibovespa despenca quase 14% e aciona circuit breaker após eleição

Bolsa brasileira registra a maior baixa percentual desde março de 2020 com vitória de Lula e apreensão fiscal.

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Circuit breaker e maior baixa desde 2020: Ibovespa cai quase 14% após vitória de Lula

O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte volatilidade ao resultado das urnas, levando a B3 a paralisar suas operações logo no início do pregão. A principal referência acionária do país despencou 13,88%, fechando aos 176.608,23 pontos, o que representa o pior desempenho percentual desde o início da crise sanitária global em março de 2020.

Paralisação das negociações

O mecanismo de segurança foi acionado após uma queda de 10% logo na abertura, suspendendo por 30 minutos ativos à vista, opções e fundos de índice negociados na bolsa. No mercado futuro, os contratos do índice precisaram ampliar seus limites de baixa em duas ocasiões distintas para conter a volatilidade extrema, refletindo o clima de aversão ao risco entre os investidores.

Expectativas frustradas

Analistas apontam que os agentes econômicos operavam posicionados para um cenário político distinto, apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A reversão das expectativas gerou dúvidas imediatas sobre a condução futura da economia e o equilíbrio das contas públicas federais.

“Isso naturalmente gera um ajuste grande nos portfólios e, sem dúvida, uma preocupação principalmente com os próximos passos e a questão fiscal que precisa ser endereçada pelo Brasil”, afirmou o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi. “Hoje é um dia clássico de aversão a risco; os investidores preferem sair das posições, colocar recurso em caixa para aguardar um pouco mais os fatos e anúncios antes de se manterem posicionados.”

Zanlorenzi pondera que a intensidade do movimento tende a arrefecer conforme os portfólios sejam reequilibrados nos próximos pregões. “Mas hoje é um dia que realmente as coisas ficam mais irracionais e as posições têm mudanças abruptas.”

Visão dos especialistas e cenário fiscal

Instituições financeiras internacionais e gestoras locais destacaram que a euforia recente dos ativos refletia a precificação de uma rápida consolidação fiscal. Com o novo resultado, gestores alertam para a necessidade urgente de sinais claros de responsabilidade com os gastos públicos.

“Uma vitória de Lula implica uma trajetória diferente”, apontou a equipe de mercados emergentes do UBS Global Wealth Management em relatório, acrescentando que ainda não visualiza um plano de ajuste concreto suficiente para justificar os patamares anteriores dos ativos.

O pleito foi decidido com 51,79% dos votos válidos para Luiz Inácio Lula da Silva contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, consolidando uma diferença de 4,4 milhões de votos em uma eleição marcada por forte participação popular.

“O resultado contraria o cenário base e entrega a maior surpresa desta eleição com a vitória de Lula. O mercado não estava posicionado para este desfecho”, afirmou o head de multimercados do ASA, Felipe Balassiano.

“Diferente dos cenários de vitória de Bolsonaro — onde quanto maior a vantagem, melhor andariam os ativos –, devemos passar por um ajuste severo de preços na abertura. Esperamos forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal”, completou Balassiano.

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