As ações das principais empresas do setor de construção civil sofreram forte recuo na bolsa de valores de São Paulo nesta segunda-feira, em meio ao salto nos juros futuros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo.
Impacto severo na B3
Os papéis das incorporadoras registraram quedas expressivas na sessão. A Cyrela (CYRE3) recuou 44,81%, a MRV&Co (MRVE3) caiu 42,53%, a Cury (CURY3) se desvalorizou 16,68%, a Direcional (DIRR3) perdeu 24,05% e a Tenda (TEND3) cedeu 26,38%.
Sensibilidade aos juros
As construtoras e incorporadoras são particularmente sensíveis à alta dos juros, o que tende a dificultar financiamentos imobiliários, apesar dos incentivos do governo Lula ao setor de habitação popular nos últimos anos.
Disputa presidencial e mercado
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste nesta manhã é intenso.
Na noite de domingo, profissionais já haviam projetado um forte avanço das taxas dos DIs, em especial nos contratos com prazos mais longos, que refletem mais diretamente a perspectiva para a política fiscal.
Expectativa fiscal
No dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base, em meio à euforia do mercado com a possibilidade de o senador vencer a disputa.
Por trás da euforia estava a leitura de que, com Flávio no Planalto, cresceriam as chances de um ajuste nas contas públicas. Como Lula venceu o segundo turno, garantindo mais um mandato, a curva a termo brasileira enfrentou um forte ajuste de alta nesta segunda-feira.







