O governo dos Estados Unidos formulou estratégias militares que abrem margem para o emprego da GBU-43/B — amplamente chamada de “mãe de todas as bombas” — contra complexos energéticos e bases nucleares localizadas no Irã. Qualquer ordem para efetivar a ofensiva permanece sob responsabilidade exclusiva do presidente Donald Trump.
O projeto e a mecânica da MOAB
A sigla MOAB refere-se a Massive Ordnance Air Blast, traduzida popularmente como “mãe de todas as bombas”. Concebida por Albert L. Weimorts Jr., vinculado ao Laboratório de Pesquisa da Força Aérea americana, a arma passou pelo seu primeiro teste oficial no ano de 2003, no estado da Flórida.
O equipamento pesa cerca de 9,8 toneladas e mede aproximadamente nove metros de comprimento. Seu transporte até o local do lançamento ocorre por meio de aeronaves militares como o MC-130, exigindo o uso de paraquedas e de navegação via GPS para atingir o destino.
Potência e limitações técnicas
Diferente de armamentos criados para perfurar o solo, a MOAB detona no ar e gera uma onda de choque que alcança uma extensão equivalente a nove quarteirões urbanos. Sua carga explosiva corresponde a cerca de 11 toneladas de TNT, o que a torna ideal para alvos amplos, como grandes concentrações de tropas e equipamentos.
Apesar da alta capacidade destrutiva, analistas apontam que a arma possui restrições severas contra estruturas fortificadas no subsolo. Fontes ouvidas pela CNN ressaltaram que o armamento apresenta grande eficácia para devastar áreas de superfície, mas falha em atingir abrigos profundos como os da Montanha Pickaxe.
“É uma arma excelente para devastar grandes áreas, mas pouco útil para outras finalidades”
Outra fonte ouvida pela emissora acrescentou:
“Definitivamente, ela não foi projetada como uma ogiva de penetração profunda.”
Histórico de uso em combate
As forças norte-americanas utilizaram o equipamento bélico pela primeira vez em abril de 2017, durante a gestão inicial de Trump, contra uma rede de fortificações do Estado Islâmico no Afeganistão. Os registros da época indicam a eliminação de 36 extremistas e a destruição de três túneis subterrâneos, sem vítimas civis registradas por autoridades locais e americanas.
Cenário político atual e perspectivas
O debate sobre o uso da bomba contra o Irã ocorre em um momento de pausa temporária nas ofensivas. Em outubro, o mandatário norte-americano se manifestou sobre o tema nas redes sociais:
“Quero deixar claro para todos que, embora o Irã esteja em péssimas condições, tanto econômica quanto militarmente, e embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, (…) não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos.”
O pleito ocorreu em 3 de novembro. Embora as sanções econômicas continuem ativas e não exista um pacto formal de paz entre as nações, a execução de novos ataques — assim como a possível utilização da famosa arma convencional — continua dependendo estritamente de uma determinação política da Casa Branca, mesmo sabendo que o artefato não garante a aniquilação de alvos subterrâneos.







