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Atrasos e lentidão marcam obras públicas no litoral paranaense

Projetos bilionários e reformas em trapiches acumulam prazos vencidos, custos extras e geram riscos à população.

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A lentidão na execução de obras públicas no litoral do Paraná se manifesta tanto em grandes empreendimentos de infraestrutura quanto em projetos de menor porte, revelando um histórico de prazos não cumpridos, reajustes orçamentários e impactos diretos para a população da região.

Atrasos históricos no projeto Moegão O assunto está em pauta há sete anos. Em outubro de 2019, o Governo do Paraná publicou uma matéria intitulada “Avança o projeto da moega exclusiva de descarga para vagões”, informando que a proposta de concentrar a descarga ferroviária de granéis em uma estrutura única estava avançando, após ter sido apresentada à Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (Atexp), em julho daquele ano.

Já o anúncio formal da licitação foi feito pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior dois anos depois, em 9 de dezembro de 2021, quando foi lançado o edital do projeto Cais Leste, nome oficial do empreendimento. Na ocasião, o investimento anunciado era de R$ 500 milhões, e o prazo previsto para a entrega era de 180 dias após o início das obras. Isso mesmo, seis meses.

Estamos aqui, cinco anos depois, e o novo prazo (houve vários no caminho) para a conclusão da obra visionária é outubro de 2027, mesmo com tanto dinheiro envolvido. Segundo o próprio Executivo Estadual, o meio bilhão de reais que seria investido já chegou à casa dos R$ 700 milhões. E eles festejam a conexão de um dos 11 terminais previstos para integrar o complexo… O que não foi explicado é o motivo de tanto atraso, dos sucessivos prazos descumpridos e do acréscimo de R$ 200 milhões às despesas do projeto.

Problemas na infraestrutura de Guaraqueçaba Por outro lado, com um orçamento muito menor, mas com R$ 1,5 milhão já aprovado para reformar 12 trapiches e construir outros três, a Prefeitura de Guaraqueçaba está prestes a completar dois anos de gestão e não conseguiu cumprir os prazos para executar o convênio firmado com o Governo em 2024. Fez um aditivo quando já estava prestes a perder a verba e, ainda assim, não cumpriu a nova data estabelecida para a realização das obras.Nesse caso, as primeiras consequências começaram a aparecer: um trapiche desabou, fazendo com que três moradores caíssem na água. Por sorte, apenas os três esperavam uma embarcação naquele horário. Apesar do grande susto, sofreram somente ferimentos leves, mas perderam os pertences que levavam consigo.

Depois disso, vieram as denúncias e os pedidos de socorro de uma população que sofre com o isolamento por terra e enfrenta a precariedade das únicas estruturas que permitem a mobilidade por água. Os trapiches estão colapsando.

Como o poder público permanece nessa inércia em relação a Guaraqueçaba?

Poderia muito bem exigir das grandes empresas portuárias que arcassem com o mínimo de reparação pelos danos que a atividade causa às populações ribeirinhas.

Desafios ambientais e sociais Que as ações de manutenção dos trapiches, preservação dos manguezais e limpeza fossem estendidas a todo o entorno dos municípios litorâneos.

Volta e meia, noticiamos a boa vontade de voluntários e ONGs que recolhem lixo internacional dos nossos mangues e áreas de restinga. E de onde vem esse lixo?O progresso e a economia pujante de nada servem se, em detrimento disso, a população sofre. Por que as obras nunca chegam a Guaraqueçaba? Por que a estrada é, ano após ano, eleição após eleição, ignorada? Seria porque a cidade tem poucos eleitores e a renda é inexpressiva?

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