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Moradores de Guaraqueçaba denunciam risco de colapso em trapiche

Estruturas na Ilha de Bertioga apresentam sinais graves de deterioração e geram medo na comunidade local.

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Após queda de trapiche ter deixado feridos em Guaraqueçaba, moradores de outra comunidade denunciam condições de estrutura: “uma hora ou outra vai desabar”

O trapiche público da Ilha de Bertioga, localizado no município de Guaraqueçaba, apresenta sérios problemas estruturais que incluem vigas quebradas e ferragens totalmente oxidadas e expostas. A ausência do antigo flutuante, que facilitava o embarque e o desembarque com segurança, deixou o local em situação crítica após ser severamente danificado por um vendaval.

Risco de desabamento na Ilha de Bertioga A preocupação dos moradores aumentou drasticamente depois que o trapiche da Ilha Rasa desabou em 5 de outubro, deixando três pessoas feridas. Registros em vídeo e fotos feitos em agosto de 2026 evidenciam a gravidade do cenário enfrentado diariamente por quem depende da estrutura para se deslocar na região insular.

Um morador da localidade relatou o perigo enfrentado por estudantes e cidadãos: “Eu vou mostrar como está o trapiche aqui da balsa de Bertioga. Nós embarcamos aluno, não tem mais condições, não tem flutuante, não tem nada, está caindo tudo por baixo. Olha a situação que está isso, uma hora ou outra vai desabar”.

O apelo por socorro das autoridades Diante do cenário de abandono, a comunidade pede intervenção urgente dos órgãos competentes para evitar tragédias semelhantes à registrada na Ilha Rasa.

O apelo foi reforçado pelo mesmo morador: “Eu peço aos órgãos, à defesa civil, alguém de vocês para vir dar uma olhada. Está perigoso isso aqui, muito perigoso. Por favor, façam alguma coisa por nós. Ali na frente, o que tinha era um flutuante, o vendaval levou. Os alunos estão embarcando aqui quase caindo na água, está muito difícil”.

Atraso em reformas e cobranças políticas Guaraqueçaba é o município mais isolado do litoral paranaense e conta com uma sede e 26 ilhas. Um convênio firmado em 2024 entre a Prefeitura e o Governo do Paraná previa a revitalização de 12 trapiches e a construção de outros três, baseando-se em um levantamento de 2023. No entanto, estruturas como a da Ponta do Lanço continuam deterioradas, exibindo rachaduras e partes soltas nas passarelas.

O vereador Alcendino Ferreira Barbosa, conhecido como Thuca da Saúde, manifestou indignação com a demora nas obras: “Depois do que aconteceu em Ilha Rasa, onde o trapiche desabou com pessoas em cima, não podemos esperar que uma nova tragédia aconteça. A população utiliza esses trapiches diariamente para embarcar, desembarcar e acessar serviços essenciais. Um acidente pode acontecer a momento. Não estamos falando apenas de estrutura. Estamos falando de vidas”.

O parlamentar também chamou a atenção para o caso específico da Ilha de Bertioga, que ficou de fora da listagem inicial de reparos de 2023: “Esse ainda não estava contemplado lá em 2023, mas precisa ser tomada providência senão vai cair igual ao da Ilha Rasa. Eles foram feitos em laje, o mar comeu por baixo e vão despencar. A comunidade tem três trapiches e esse é o mais usado, então cobrei nas minhas redes sociais, pois a Prefeitura tem que agir“.

Posicionamento do Instituto Água e Terra Questionado sobre os licenciamentos pendentes e a fiscalização da inércia da Prefeitura de Guaraqueçaba em relação ao convênio de R$ 1,4 milhão voltado aos trapiches, o Instituto Água e Terra (IAT) optou por não comentar o repasse inicial.

Em contrapartida, a autarquia destacou uma iniciativa alternativa de grande porte para a região: “O Instituto Água e Terra (IAT), por meio da Diretoria de Patrimônio Natural (DIPAN), está finalizando os trâmites para a implementação de 23 flutuantes em diferentes pontos de Guaraqueçaba, como a APA Estadual, APA Federal e Parque Nacional do Superagui, no Litoral. Os estudos contam com a anuência dos ministérios públicos Estadual e Federal; Justiça Federal; e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O investimento é de aproximadamente R$ 30 milhões, com recursos do TAJ [Termo de Acordo Judicial] da Petrobras”.

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