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Caverna na China revela novos fósseis de denisovanos extintos

Pesquisadores descobrem vestígios que ampliam o conhecimento sobre esses antigos hominídeos.

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Osso encontrado em caverna na China pertence a misterioso grupo de hominídeos extinto

Uma caverna localizada no sudoeste da China, mais precisamente na província de Yunnan, está contribuindo para uma compreensão mais profunda de uma das linhagens mais enigmáticas da evolução humana. Na caverna de Bianfu, cientistas descobriram fósseis de denisovanos, além de ferramentas de pedra e uma vasta quantidade de ossos de animais, que indicam a ocupação do local por esses antigos humanos por mais de 100 mil anos.

Descobertas significativas na caverna Bianfu

Os achados foram detalhados em dois estudos publicados na revista Nature. As evidências indicam que a caverna foi utilizada entre aproximadamente 190 mil e 70 mil anos atrás, com cinco fósseis humanos encontrados no local datando entre 134 mil e 167 mil anos. A identificação dos denisovanos, uma linhagem que habitou a Ásia, foi inicialmente feita por meio de análises de DNA, mas a falta de fósseis dificultou a compreensão de suas características físicas e comportamentais.

Primeiro osso do antebraço de denisovano

Durante as escavações, os pesquisadores coletaram milhares de fragmentos ósseos. Em 2019, foram recuperados cerca de 1,4 mil artefatos de pedra e mais de 64 mil ossos de mamíferos, além de dentes humanos. A equipe utilizou uma técnica chamada ZooMS, que analisa proteínas de colágeno para determinar a origem dos fragmentos ossológicos. Assim, confirmaram que cinco restos humanos pertenciam a denisovanos, incluindo um fragmento do rádio, o primeiro já identificado dessa espécie.

O osso apresenta características únicas, com a parte próxima ao cotovelo semelhante aos rádios de neandertais, enquanto o formato geral se assemelha mais ao dos humanos modernos. Essa combinação pode sugerir adaptações biomecânicas específicas dos denisovanos que habitavam a região.

Vida e práticas dos denisovanos

Os materiais encontrados em Bianfu também oferecem insights sobre como os denisovanos interagiam com seu ambiente. Entre os artefatos de pedra, aproximadamente 200 ferramentas de lascas foram identificadas, produzidas com rochas locais. Marcas nos ossos de animais indicam que esses instrumentos eram usados no processamento de carcaças, evidenciando práticas de caça e desmembramento de animais de grande porte.

Embora as ferramentas de Bianfu sejam menos sofisticadas do que as criadas por neandertais na mesma época, sua produção era rápida e eficiente, utilizando recursos disponíveis nas proximidades. Além disso, os denisovanos também fabricaram ferramentas de osso, uma prática que já havia sido observada entre seus parentes neandertais.

Desvendando os mistérios dos denisovanos

Os denisovanos permanecem um dos grupos mais enigmáticos na árvore genealógica humana, principalmente devido ao registro fóssil fragmentado. Eles compartilham laços genéticos com neandertais e humanos modernos, e evidências de DNA sugerem que esses grupos interagiram no passado. No entanto, a escassez de restos físicos limitava a compreensão de sua morfologia e modos de vida.

A nova coleção de fósseis da caverna Bianfu enriquece substancialmente o conhecimento sobre os denisovanos, tornando-se o registro fóssil mais extenso conhecido fora da famosa caverna de Denisova, na Sibéria. Os achados também ampliam a compreensão sobre a distribuição geográfica desse grupo, mostrando que estavam presentes na região durante períodos de mudanças climáticas, quando o ambiente do planalto de Yunnan-Guizhou oferecia condições favoráveis à sua sobrevivência.

Os pesquisadores planejam continuar suas investigações utilizando técnicas de análise de proteínas em outros fragmentos ósseos encontrados em sítios arqueológicos, na esperança de que novos fósseis ajudem a esclarecer como os denisovanos se adaptaram às mudanças ambientais e como coexistiram com outros grupos humanos.

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