O documentário “O Projeto”, codirigido pela cineasta Sabrina Fidalgo e pelo fotógrafo suíço Yvan Rodic, chega aos cinemas em 19 de novembro, integrando as discussões do Mês da Consciência Negra. A obra aborda séculos de exploração e os impactos da dominação europeia na sociedade contemporânea.
“A sociedade ocidental vive um estado de absoluta ignorância, de não saber, de não ter que saber e não dever saber”, analisa a intelectual portuguesa Grada Kilomba, no documentário O Projeto.
H2: Urgência e perspectivas globais
O longa nasceu da indignação gerada pelo assassinato de George Floyd em 2020, evento que mobilizou protestos globais contra a violência policial de caráter racista. A partir desse cenário, os diretores optaram por uma abordagem ensaística que cruza histórias de vida e reflexões políticas.
“Achamos que seria mais potente contar [como se dá] esse projeto [colonial] através de nossas histórias, de nossos corpos, nos aproximando do público”, revelou Sabrina. “Senão, ia virar um documentário histórico, que não era o nosso intuito”.
H3: O papel da branquitude
Yvan Rodic traz para a produção sua perspectiva enquanto cidadão nascido na Suíça, onde o debate sobre o passado colonial ganhou tração recentemente. O fotógrafo destaca que a inclusão de sua imagem e de sua voz teve como objetivo ampliar o alcance da mensagem antirracista.
“Falando como um homem branco, parecia impossível vivenciar este momento sem tomar uma atitude”, completou Yvan. “Havia um senso de urgência, tanto que, no início, a ideia era que O Projeto fosse mais focado em mim”, revelou.
“Até 2022, esse era um tema inexistente”, afirma o fotógrafo. “Alguns pesquisadores o abordavam, mas o grande público, não”.
“Infelizmente, um filme antirracista realizado exclusivamente por uma pessoa negra despertaria muito menos interesse”, avalia.
H2: Diálogo e colonialidade
A produção busca ir além da ocupação territorial, analisando os arranjos políticos, econômicos e socioculturais que perpetuam a dependência e a subserviência ao Norte Global. Para especialistas, a obra cumpre um papel fundamental na construção de pontes para o engajamento de pessoas brancas no combate ao preconceito.
“O filme abre uma porta de diálogo com as pessoas brancas”, aponta Janaína Refem, vice-presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan).
“Nós, do movimento negro, há anos, afirmamos: o racismo não é problema nosso. O racismo é um problema inventado pelos brancos, assim como a discriminação, a diferença e o ódio. E o filme da Sabrina desenha isso”, completa a cineasta.
O cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo também celebrou o lançamento da obra. “Da nova geração, Sabrina é uma cineasta muito original e talentosa e eu espero logo poder ver o filme”, elogia Joel Zito.
H2: Produção internacional
Desenvolvido ao longo de seis anos, o filme exigiu passagens por sete países e contou com entrevistas de nomes de destaque, como Djamila Ribeiro, Anderson França, Preto Zezé, Joice Berth, Hans Fässler, Moshtari Hilal, Rokhaya Diallo e Sinthujan Varatharajah. Após passagens pela 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e pelo Festival de Gramado, “O Projeto” consolida a trajetória de Sabrina Fidalgo no cinema autoral de relevância internacional.








