–:–:–
Conecte-se conosco

Pais levam crianças às urnas para incentivar cidadania

Famílias no Distrito Federal transformam o dia de votação em lição prática sobre direitos, futuro e participação social

31 visualizações
Pais levam filhos a seções eleitorais para ensinar democracia

Ainda que o direito ao voto no Brasil seja facultativo a partir dos 16 anos e mandatório apenas entre os 18 e os 70 anos, as seções eleitorais registraram uma expressiva presença infantil no segundo turno. Mães, pais e responsáveis decidiram levar os pequenos para acompanhar o ritual de votação de perto, transformando a cabine eleitoral em uma sala de aula prática sobre democracia e deveres cívicos.

Consciência histórica e direitos civis

Na região administrativa do Varjão, a analista de departamento pessoal Elizabete Queiroz Gomes compareceu à seção ao lado das filhas Emanuelle, de 10 anos, e Luna, de 9 anos. Segurando as meninas pelas mãos e com o aplicativo do documento eleitoral no celular, ela reforçou a importância do aprendizado familiar.

“É muito importante, desde cedo, a gente já ensinar os nossos filhos, os nossos irmãos mais novos, todos eles, sobre a importância de a gente ter o nosso direito de voto e saber como é que funciona todo o processo.”

Para Elizabete, levar as filhas também carrega uma dimensão de representatividade e valorização da história feminina nas urnas, garantida formalmente no país em 1932: “Eu sou uma mulher. E votar tem um peso enorme para nós que somos mulheres brasileiras, já que esta conquista não faz tanto tempo que a gente conseguiu.”

Educação política e planejamento a longo prazo

No Centro de Ensino Médio Paulo Freire, situado na Asa Norte, em Brasília, a internacionalista Luísa Malagoli e a publicitária Polyana Carla Alves Ázara votaram acompanhadas pelo filho e pelo animal de estimação. Recém-chegada de Goiânia há quatro anos, Polyana votou pela primeira vez na capital e quis registrar o momento ao lado da criança.

“Ele participar disso é muito importante. Penso no futuro em que ele, um dia, poderá pensar ‘eu participei, eu estive neste momento de futuro para mim e para o Brasil’. Nosso filho faz parte dessa democracia, que tem que ser positiva para seu futuro.”

A publicitária pontuou ainda a importância de mandatos com visão continuada: “A gente tem que pensar no futuro das próximas gerações e não apenas no agora. O trabalho de qualquer governante tem que ser pensado a longo prazo.”

Compartilhando a mesma visão, Luísa destacou que ensinar a votar é apenas o primeiro passo da formação de um indivíduo consciente, defendendo a fiscalização contínua de deputados e vereadores. “Este é um dos momentos mais importantes da nossa vida como cidadão. Não podemos não atuar para o nosso futuro. Não adianta ficarmos só reclamando, se não fizermos por onde.”

Exemplo transmitido entre gerações

A preocupação com o bem-estar e o progresso coletivo também motivou Nilsemar Ferreira da Silva a levar o filho, Arcanjo Miguel Mota da Silva, de 7 anos, para a cabine de votação. O pai entende que a vivência ajuda na compreensão das estruturas sociais.

“É importante para ele começar a entender a respeito do que que se trata a política.”

Ao falar sobre suas motivações diante da urna, Nilsemar expressou anseios por serviços essenciais: “Quero um país melhor. Quero poder sair de casa sem medo de nada, ter segurança. E também priorizo a educação para as crianças.”

Na mesma escola pública do Varjão onde outros eleitores votavam, Siomara Chao, de 59 anos, esteve presente ao lado do esposo, o mecânico Plínio de La Pena, de 72 anos, e do neto Iyaz, de 4 anos. A avó, que tem quatro filhos e 12 netos, destacou o valor cívico do gesto: “Iyaz já canta o Hino Nacional na escola dele, que também ensina o patriotismo. O que acho superpositivo.”

Siomara concluiu reforçando o significado de cumprir o compromisso com as urnas visando as próximas gerações: “Vir aqui, no domingo, é exercer a nossa cidadania. Fazer valer uma mudança, um progresso futuro para os nossos netos, para os nossos filhos. Algo melhor.”

Mais em Política

Ver tudo →