Um bloco formado por 13 legisladores dos Estados Unidos remeteu um ofício ao executivo-chefe da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo esclarecimentos sobre acusações de conduta desigual envolvendo as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais da companhia durante o pleito brasileiro.
Questionamentos sobre moderação e inteligência artificial
O envio do documento aconteceu na última quinta-feira (22), antecedendo em apenas três dias o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, agendado para o domingo (25). O grupo americano quer apurar se os algoritmos de moderação, as ferramentas de inteligência artificial e os sistemas de recomendação da empresa penalizaram posts do candidato petista ou concederam vantagens ao oponente.
As demandas surgem na sequência de múltiplos relatos sobre barreiras impostas a perfis e inserções publicitárias políticas, variações no desempenho da IA da big tech e potenciais falhas na entrega de material digital. Em sua defesa, a corporação rejeita qualquer acusação de favoritismo e atribui as ocorrências a falhas operacionais e imprecisões acidentais.
Prazos e exigências de transparência
Os signatários da carta exigiram uma audiência com delegados da corporação para a sexta-feira (23), estipulando a data de 4 de novembro como limite para o envio de retornos por escrito.
Entre as indagações presentes no documento, os legisladores questionam quais diretrizes norteiam a vigilância de conteúdos políticos fora dos Estados Unidos, além de exigirem detalhes sobre eventuais diálogos entre a empresa e representantes da administração de Donald Trump acerca da justiça eleitoral brasileira e do marco regulatório das plataformas.
Problemas com anúncios e atuação do tse
O histórico de atritos inclui a suspensão da conta de anúncios de Lula no Facebook ocorrida em 23 de setembro, além de restrições que paralisaram o impulsionamento no Instagram por quase um dia inteiro entre 9 e 10 de outubro, afetando um alcance estimado em 1,3 milhão de usuários.
Em paralelo, a Justiça Eleitoral brasileira intensificou a vigilância sobre a companhia. Após interpelações da coligação petista, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigiu paridade de tratamento entre os concorrentes na circulação de materiais políticos, elevando multas aplicadas à empresa em razão do cumprimento das ordens judiciais.
Pressão de órgãos independentes e da sociedade civil
A companhia também enfrentou cobranças de seu próprio Conselho de Supervisão, que apontou instabilidades crônicas na aplicação das normas de integridade para o pleito brasileiro, citando rigores excessivos em auditorias antifraude direcionadas às contas da campanha de Lula.
Adicionalmente, coletivos da sociedade civil e entidades acadêmicas, como o NetLab da UFRJ, documentaram milhares de propagandas políticas financiadas em moeda estrangeira — majoritariamente a partir dos Estados Unidos —, elevando o escrutínio internacional sobre a atuação da gigante tecnológica no cenário político nacional.





