O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligou para Elon Musk na quarta-feira (21) e pediu que o empresário suspendesse as restrições impostas a uma versão militar do sistema de internet via satélite Starlink utilizada pela Ucrânia. Segundo autoridades estadunidenses e ucranianas ouvidas pelo The Wall Street Journal, o serviço começou a funcionar de maneira mais regular na quinta-feira (22), pouco depois da conversa.
A melhora, no entanto, apresentou instabilidade. Enquanto alguns pelotões registraram conexões mais velozes, outros mantiveram os gargalos técnicos, e o governo ucraniano apontou que a rede ainda não opera com 100% de sua capacidade original.
Impacto militar e frustração presidencial
Fontes indicam que Trump demonstrou incômodo com a limitação de velocidade. A medida impediu que drones de ataque e interceptadores mantivessem o sinal em alta velocidade durante manobras, prejudicando a resposta militar contra a Rússia.
A retomada parcial do serviço pode ampliar a capacidade militar ucraniana de utilizar drones e interceptadores movidos a jato. Esses equipamentos dependem da conexão via satélite para determinadas operações, e a limitação de velocidade dificultava seu funcionamento.
Michael Kofman, especialista em guerra da organização Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que a retirada da restrição pode ajudar a Ucrânia a ampliar sua capacidade de ataque a alvos em profundidade operacional, além de acelerar a expansão do uso de interceptadores a jato.
Segundo o especialista, unidades militares ucranianas relataram que os primeiros testes indicavam um funcionamento mais regular do sistema. Um representante ucraniano, porém, afirmou que algumas unidades já haviam registrado velocidades maiores, enquanto outras continuavam submetidas ao limite anterior.
“Continuamos aguardando informações e esclarecimentos do lado estadunidense sobre a situação. Ainda não houve resposta”, declarou o funcionário.
Divergências na Casa Branca e repercussão política
O episódio expôs contradições entre membros do alto escalão norte-americano sobre quem detém o controle das diretrizes de comunicação via satélite em zonas de conflito. O vice-presidente JD Vance apoiou a postura do dono da SpaceX.
“Não acho que isso seja sobre Elon. Acho que se trata fundamentalmente de qual será a política dos Estados Unidos em relação à Ucrânia e à Rússia”, afirmou Vance.
Em contrapartida, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o secretário de Estado, Marco Rubio, argumentaram que a empresa operava apenas sob suas normas internas. “Existem termos de serviço que precisam ser cumpridos e, em última análise, é a Starlink que tem a opção de tomar essas decisões”, declarou Hegseth no início da semana.
Investigações e novos desdobramentos
Diante da vulnerabilidade estratégica revelada pelo caso, o senador Richard Blumenthal abriu uma investigação formal para apurar a queda repentina de sinal e avaliar os riscos da forte dependência do Pentágono em relação à empresa de Musk.
Questionado pela imprensa na quinta-feira (22) sobre o contato com o bilionário, Trump evitou confirmar detalhes, declarando: “Não comento nem de um lado nem de outro”. Posteriormente, concluiu: “O resultado final: ele colocou de volta”. Representantes da SpaceX não se manifestaram sobre o episódio.





