A rota rumo a uma matriz logística sustentável no Brasil encontra-se diante de um círculo vicioso. Enquanto frotistas e companhias de logística enfrentam uma cobrança crescente para substituir veículos tradicionais por alternativas de menor pegada ecológica, o setor responsável pelo fornecimento de novas matrizes energéticas e estações de recarga hesita em acelerar aportes sem uma base sólida de usuários.
O dilema entre investimento e demanda
A trava enfrentada pela descarbonização do transporte reflete um descompasso estrutural. Para que as transportadoras realizem a migração tecnológica de seus veículos, é indispensável contar com redes de abastecimento eficientes e distribuídas estrategicamente pelas rodovias e polos de distribuição do país.
Na ponta oposta, fornecedores de insumos limpos e gestores de infraestrutura justificam a cautela apontando a necessidade de escala. O alto custo de implementação de novas redes exige um volume consolidado de circulação para viabilizar o retorno financeiro, gerando uma dependência cruzada em que nenhum dos elos consegue avançar sozinho.
Integração como saída para a transição energética
A superação desse gargalo na transição energética demanda articulação coordenada entre o setor produtivo e o poder público. Sem medidas indutoras, garantias regulatórias ou modelos de negócios integrados que mitiguem os riscos de ambos os lados, o país corre o risco de retardar seus compromissos ambientais e a modernização de sua malha de transporte.







