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Violência política atinge recorde e foca em mulheres

Pesquisa revela 134 casos de agressões e ameaças durante as campanhas eleitorais de 2026.

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Com alta da violência política no Brasil, mulheres são maiores vítimas

As ameaças enfrentadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) refletem a escalada da violência política no Brasil durante a disputa eleitoral de 2026.

Aumento dos casos contra candidatas

Um levantamento recente das organizações Terra de Direitos e Justiça Global registrou 134 ocorrências de hostilidade até o primeiro turno, realizado no último domingo (4). O número representa uma média de um ataque a cada nove horas nos 50 dias oficiais de campanha, superando a marca de 121 registros contabilizada no mesmo período de 2022. Desse total, as mulheres foram as principais alvos, somando 70 vítimas, o que equivale a 52,2% dos episódios mapeados.

O peso da misoginia e do preconceito

Entre os 102 episódios direcionados exclusivamente a candidatos, 60 atingiram mulheres, representando 58,8% dos casos, mesmo elas ocupando cerca de um terço das candidaturas totais. A misoginia e o machismo estiveram presentes em 45 ocorrências, enquanto o racismo apareceu em nove e a transfobia em cinco. Pessoas negras representaram 44,8% do total de vítimas, evidenciando a interseccionalidade das agressões.

Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, aponta que o ambiente digital é um terreno fértil para ataques sistemáticos, embora a maioria dos casos ainda aconteça nas ruas. A pesquisadora ressalta que a falta de regulação das redes sociais dificulta o enfrentamento desse problema.

“É necessário uma força-tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas contra essas violências”, avaliou a pesquisadora em entrevista à Agência Brasil.

Subnotificação e impunidade

A especialista também destaca a existência de uma forte subnotificação impulsionada pelo medo e pela falta de respostas rápidas das autoridades policiais. Entre as tipificações mapeadas, as ameaças lideram com 64 casos, seguidas por 33 ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos de agentes municipais.

“Existe essa subnotificação. Os casos muitas vezes não chegam à opinião pública por causa do medo”, afirmou Barbieri.

“Esse cenário de hostilidade, além de intimidar, gera rupturas profundas no nosso sistema democrático exigindo do Estado uma resposta firme e proporcional à gravidade da situação”, destaca Gisele Barbieri.

A gravidade do cenário é ampliada pelo perfil dos agressores e pela ausência de punições efetivas. Em 26 episódios, os autores identificados eram agentes públicos, incluindo parlamentares e forças de segurança. Até o fim da coleta de dados, nenhum dos 134 casos havia resultado em punição definitiva aos responsáveis, evidenciando os desafios para proteger a integridade da democracia brasileira.

“Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira”, disse a coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho.

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