A equipe jurídica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entrou com uma ação de investigação judicial eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (8.out.2026). O processo é direcionado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB), requerendo a cassação do registro da chapa governista.
Uso da ferramenta collab na mira da justiça
Além da cassação, os advogados solicitaram em caráter liminar a suspensão imediata de 32 perfis apontados como centros de propagação de boatos até o encerramento do segundo turno. De acordo com a petição, a campanha rival promove uma campanha do medo por meio de uma estrutura coordenada na rede social Instagram, explorando a funcionalidade de coautoria, conhecida como collab, que possibilita a publicação simultânea em até seis contas.
Acusações de propagação de mentiras
O documento protocolado detalha que as postagens impugnadas vinculam o candidato do PL a propostas que ele refuta veementemente, como a privatização do SUS, o fim do Bolsa Família e do 13º salário, além de cortes no programa Farmácia Popular e o congelamento de aposentadorias.
As publicações também alegavam que Flávio planejava executar um golpe de Estado para estabelecer uma ditadura, fixar uma jornada de trabalho de 16 horas diárias em regime de 7 por 0, e abrir espaço para interferência internacional no pleito brasileiro.
Mapeamento de dados e alcance da rede
O levantamento técnico foi realizado entre a meia-noite de 5 de outubro e as 14h28 de 7 de outubro de 2026. Nesse intervalo, a equipe mapeou 1.525 contas interligadas por 5.882 conexões de coautoria divididas em 16 grupos distintos. Do total de materiais analisados, 218 conteúdos foram enquadrados no núcleo de desinformação, sendo 24 classificados como falsos e 194 como descontextualizados.
Os dados apontam que o material investigado alcançou 11,6 milhões de visualizações e gerou 2,5 milhões de interações em aproximadamente 62 horas, sendo que 80% desse volume teve origem em publicações compartilhadas via collab.
Penalidades e exigências da defesa
Entre os pedidos apresentados ao tribunal, constam a exclusão de 221 postagens no prazo de 24 horas, o bloqueio de coautorias entre 48 perfis centrais da rede, a proibição de novos repasses do conteúdo pela campanha adversária e a quebra de sigilo dos administradores de contas anônimas.
O texto jurídico também requer a aplicação de multa horária de R$ 100.000 às plataformas digitais e de R$ 50.000 por postagem para eventuais infratores que descumprirem as determinações da Justiça Eleitoral.







