A jornalista Flávia Oliveira não conteve as lágrimas durante a edição do programa “Estúdio i”, exibido pela GloboNews nesta quinta-feira (8), ao acompanhar o forte depoimento da deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa (PT). A jovem política de 21 anos participava da atração para detalhar a onda de ataques racistas e ameaças de morte que passou a sofrer logo após o pleito do último domingo (4), quando se consagrou como a mulher mais votada do estado.
O peso histórico e a resistência na política
Questionada sobre a origem das manifestações de ódio após alcançar a marca expressiva de 524.219 votos em sua primeira disputa eleitoral, a parlamentar fez uma reflexão profunda sobre o racismo estrutural no Brasil. “O sonho destas pessoas é que nem eu, nem você, nem nenhum brasileiro que está tendo o direito de nos escutar aqui hoje, estivéssemos aqui. O sonho deles é que nós estivéssemos agora no pelourinho”, iniciou a política.
Em outro trecho, a deputada destacou a importância de sua presença no parlamento e garantiu que as intimidações não interromperão sua trajetória. “Sou a primeira mulher negra, em 200 anos de Câmara, a chegar à Câmara com 21 anos. Então, mesmo que isso custe uma retaliação contra a minha vida, eu sei que eu vivi coisas que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade de viver”, disse. Ela ainda completou: “É óbvio que eu temo pela minha vida, mas eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade. Tenho certeza que a minha ancestralidade, ela nunca teve a oportunidade nem de falar, quanto mais chegar na Câmara dos Deputados Federais”.
O papel da juventude e novos alvos
Durante a entrevista conduzida em Brasília, a apresentadora Andreia Sadi interveio para elogiar a maturidade da convidada e questionar a visão atual sobre a juventude no cenário político nacional. A recém-eleita argumentou que existe uma tentativa sistemática de afastar as novas gerações das decisões do país, traçando um paralelo com períodos históricos anteriores.
Ataques coordenados e segurança reforçada
Além das ameaças de morte e de estupro, a parlamentar denunciou a exposição de dados sigilosos e planeja adotar medidas protetivas imediatas em solo mineiro. “Desde ontem estamos sofrendo um ataque coordenado, desde que viemos ajudar a campanha do presidente Lula. A extrema direita não estaria fazendo isso se não achasse que podemos mudar esse jogo. Amanhã em Minas já teremos escolta. São ataques machistas, racistas, ameaças de estupro, violência, o endereço da minha casa exposto, meu número de telefone, meus documentos”, desabafou.
Enquanto a bancada encerrava a entrevista e agradecia a presença da convidada, Flávia Oliveira permaneceu em silêncio por alguns instantes, visivelmente comovida com a gravidade dos relatos, chegando a enxugar as lágrimas ao vivo.







